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População de Valpaços invade Misericórdia e obriga à intervenção da GNR

A manifestação popular para exigir a reabertura do Hospital de Valpaços e a reintegração dos funcionários ficou hoje marcada pela intervenção da GNR após as pessoas terem arrombado, exaltadas, os portões da Misericórdia e forçado a entrada.

A população de Valpaços manifestou-se hoje, pela terceira vez desde quinta-feira, para exigir a reabertura do hospital.



Os ânimos exaltaram-se e os perto de 500 manifestantes arrombaram os portões e forçaram a entrada da Misericórdia para falar com o provedor, que teve de sair por uma porta lateral.



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O Hospital de Valpaços, propriedade da Santa Casa, celebrou em 1999 um contrato com uma empresa espanhola, a Lusipaços, para gerir o hospital até 2014.



Apesar de ser privado, o hospital funcionava como se fosse público devido a um acordo que a Misericórdia mantinha com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte.



O protocolo que a ARS mantinha com as Misericórdias terminou e a Santa Casa entrepôs uma providência cautelar para gerir o hospital, deferida a seu favor a 06 de janeiro.



A unidade hospitalar fechou por falta de acordo com a ARS Norte e os cerca de 40 trabalhadores foram "obrigados" a gozar os 22 dias úteis correspondentes às férias a que teriam direito.



Segundo o provedor da Misericórdia, Eugénio Morais, o protocolo com a ARS Norte terminou porque "o hospital carecia de muitas obras, nomeadamente, no sistema de ventilação e sistema elétrico".



Por isso, disse, "tivemos de fechar o hospital porque sem estas obras não haveria um novo acordo com a ARS Norte".



As obras irão demorar cerca de seis meses, mas "dentro de dois meses teremos condições para reabrir o hospital com consultas especializadas e vamos deixar de ter internamento", salientou o provedor.



Quanto aos trabalhadores, Eugénio Morais reafirma que "são funcionários da Lusipaços e não da Santa Casa, por isso, não foi a Misericórdia que os mandou de férias".



O provedor disse que ainda não falou com os trabalhadores.



"Temos medo de os receber, dado que, na sexta-feira partiram-nos os vidros da Santa Casa", frisou.



Na providência cautelar entreposta pela Misericórdia para gerir o hospital lê-se que a entrega da gestão da Lusipaços à Santa Casa prevê a transferência dos "contratos celebrados com os seus trabalhadores (...) com vista a, de imediato, assegurar a continuação dos mesmos quadros como trabalhadores da requerente".



O assessor de imprensa da ARS Norte, Antonino Leite, reafirmou à Lusa que "está a ser estudada a possibilidade de um novo acordo com a Misericórdia de Valpaços, mas não foram exigidas obras".



O presidente da câmara, Francisco Tavares, esteve na manifestação e disse à população que tem garantias por parte de a ARS Norte que o hospital vai reabrir com as mesmas valências, mas "ainda não temos datas".



O autarca revelou ainda que amanhã (terça-feira) vai ter uma reunião com o provedor da Santa Casa para resolver a situação profissional dos 40 funcionários.



(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)



Com Lusa