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Belmiro de Azevedo, da aldeia de Tuías para a lista dos mais ricos do mundo

Belmiro de Azevedo, da aldeia de Tuías para a lista dos mais ricos do mundo

Nasceu na aldeia de Tuías, Marco de Canaveses, em 1938. Entrou para a Sonae no final da década de 1960 e assumiu o controlo da empresa em 1974. Era uma das pessoas mais ricas de Portugal e era conhecido pela exigência no trabalho e pela frontalidade. Morreu esta quarta-feira, aos 79 anos.

Quando Jorge Sampaio condecorou Belmiro de Azevedo, em 2006, o então Presidente da República quis distinguir os méritos empresariais do homem forte da Sonae, que, nesse ano, era o único português a aparecer na lista dos mais ricos do mundo.

A fortuna vinha a ser construída desde os anos 80 do século passado.

O mais velho de oito irmãos, filho de uma costureira e de um carpinteiro, Belmiro Mendes de Azevedo nasceu em Marco de Canaveses, em 1938.

Chumba na primeira classe mas acaba por recuperar quando muda de escola, saltando diretamente do 1.º para o 3.º ano. Faz o liceu no Porto e acaba com a melhor nota.

Ao chegar à faculdade, divide os estudos de Engenharia Química com o trabalho numa empresa têxtil.

A entrada na Sonae

É deste primeiro emprego que o jovem Belmiro dá o salto para a Sonae. Entra em 1965 como diretor de Desenvolvimento e, dois anos depois, já é diretor-geral.

A visão apurada acaba por levá-lo a assumir o controlo da empresa. Em 1982, Belmiro recebe do fundador da Sonae 16% do capital e, após a morte de Afonso Pinto de Magalhães, torna-se acionista maioritário.

A disputa com os herdeiros arrasta-se durante vários anos em tribunal.

Em 1983, no primeiro dos muitos negócios que faz na bolsa portuguesa, Belmiro de Azevedo dispersa o capital da Sonae. Dois anos depois, cria em Matosinhos o primeiro hipermercado Continente, naquele que é o ponto de viragem da empresa.

A empresa da indústria das madeiras transforma-se num grupo com interesses cada vez mais diversificados: distribuição, turismo, hotelaria ou imobiliário.

A entrada na comunicação social acontece em 1989, com a Rádio Nova, e, no ano seguinte, aparece o jornal Público.

Por esta altura, o empresário nortenho é também figura de destaque na banca. Avança para a privatização do Totta Açores, mas falha. Já em 1995, nova tentativa frustrada, desta vez ao liderar um grupo de industriais que tentam controlar o BPA. O banco acaba por ficar nas mãos do BCP.

A extravagância de comprar um carro caro de 14 em 14 anos


O squash, o ténis ou as idas ao ginásio bem cedo, ainda antes de entrar no escritório, faziam parte da rotina do empresário, que é inúmeras vezes apontado como o homem mais rico do país.

Mas Belmiro de Azevedo cultiva sempre a imagem de homem frugal, avesso ao luxo, e que tem como única extravagância comprar um carro caro de 14 em 14 anos.

De investimento em investimento, em 1998 a Sonae chega às telecomunicações ao lançar a Optimus, a terceira operadora móvel em Portugal.

Olhar crítico sobre os políticos

O volume de faturação da empresa vai crescendo ano após ano, com Belmiro de Azevedo a manter sempre um registo polémico e controverso e um olhar muito crítico sobre a política e os políticos ,à esquerda ou à direita.

As polémicas com governantes acompanharam sempre o percurso do empresário que acaba mesmo por cortar relações com um primeiro-ministro, José Sócrates, depois de saber em março de 2007 que o Governo usara a golden share para inviabilizar a OPA lançada pela Sonae sobre a Portugal Telecom.

A sucessão na Sonae


Mas a vida de Belmiro começa a mudar dias depois, quando anuncia que vai deixar a presidência executiva da Sonae. A sucessão estava há muito preparada.

Com o filho Paulo à frente da empresa, Belmiro de Azevedo passa então a presidente do conselho de administração. Já não tem funções executivas na Sonae mas mantém a postura de sempre, com afirmações que alguns encaram como exemplo de frontalidade e que outros consideram uma falta de respeito.

Aos 77 anos, Belmiro de Azevedo acabou mesmo por abandonar a Sonae, meio século depois de ter chegado à Sociedade Nacional de Estratificados.

Como legado deixou um grupo empresarial com mais de 40 mil trabalhadores, presente em todos os continentes.

A fortuna do Sr. Sonae estava, nesse ano, avaliada em 1.800 milhões de euros.

  • Cerimónia fúnebre de Belmiro de Azevedo reservada à família
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    O empresário que construiu império Sonae morreu esta quarta-feira aos 79 anos. Belmiro de Azevedo estava internado desde segunda-feira num hospital do Porto. O velório tem lugar durante a noite na Paróquia de Cristo Rei, na cidade invicta, e a missa de corpo presente realiza-se amanhã às 16:00. A cerimónia fúnebre será reservada à família. 

  • As frases polémicas de Belmiro de Azevedo
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    Belmiro de Azevedo nunca se coibiu de dizer o que pensava, em público, aos jornalistas e ao poder político. Um dos casos em que foi mais mordaz foi quando falhou a OPA à Portugal Telecom. Muitas vezes criticado pela frontalidade, recordamos agora algumas das frases do empresário.

  • "Belmiro de Azevedo gostava do país, não gostava era de políticos que não dizem a verdade"
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    António Lobo Xavier e José Gomes Ferreira foram ao Jornal da Noite da SIC para falar sobre Belmiro de Azevedo que morreu esta quarta-feira aos 79 anos. Conhecido como o "homem forte da Sonae", criou o primeiro hipermercado Continente em 1983, em Matosinhos. Lobo Xavier lembra o empresário como um homem que "gostava do desafio" mas que não apreciava "políticos que não dizem a verdade". José Gomes Ferreira realçou o lado visionário de Belmiro nos negócios. 

  • Rivais e amigos prestam homenagem a Belmiro de Azevedo
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    Ao longo desta quarta-feira, muitos foram os que quiseram prestar uma última homenagem a Belmiro de Azevedo. Desde Marcelo Rebelo de Sousa a Alexandre Soares dos Santos, um dos seus rivais nos negócios, todos deixaram uma mensagem de apoio à família e lembraram a determinação e visão do empresário.

  • "É um exemplo de vida"
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    País

    A morte de Belmiro de Azevedo foi um dos temas em destaque na Edição da Noite desta quarta-feira, com António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal e João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio, a recordarem a vida e o legado do líder histórico da Sonae.