País

Bastonário dos Médicos defende encerramento de unidade hospitalar no Funchal

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

O bastonário da Ordem dos Médicos disse hoje que o Hospital dos Marmeleiros no Funchal já devia ter encerrado porque não oferece segurança e que o Governo Regional da Madeira devia investir mais na Saúde.

Miguel Guimarães está hoje na Madeira para contactos com o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, e para visitar algumas estruturas hospitalares públicas e privadas: "Os madeirenses neste momento têm um problema sério. O hospital dos Marmeleiros já devia ter encerrado há muito tempo, não é um hospital que ofereça condições de segurança, de trabalho que permita que os médicos e os outros profissionais de saúde façam o seu trabalho em condições de segurança clínica", afirmou.

Esta estrutura está em avançado estado de degradação e congrega uma unidade de internamento de longa duração que acolhe, presentemente, 202 utentes em diferentes valências, como infeciosas, medicina interna ou pneumologia. Integrado nesta unidade está a Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados, constituída por serviços de apoio ao domicílio e de internamento de curta, média e longa duração, que prestam conjuntamente cuidados de saúde e de apoio social, com uma taxa de ocupação de 100%.

Para além dos Marmeleiros, o bastonário apontou problemas de ordem estrutural ao hospital central Dr. Nélio Mendonça que não permitem dar uma resposta adequada em termos de saúde: "Eu vou dizer ao doutor Pedro Ramos que é preciso investir mais na saúde, porque não podem continuar a oferecer os cuidados de saúde que têm sido oferecidos ao longo destes anos sem haver mais investimento", disse.

No caso concreto da Madeira, Miguel Guimarães considera que o hospital Dr. Nélio Mendonça tem de funcionar como um hospital polivalente, tal como acontece com alguns grandes hospitais no continente. Para o bastonário tal significa que "a estrutura tem de ter capacidade de reposta para que os madeirenses possam ter acesso a cuidados de saúde qualificados e, neste momento, existem muitas deficiências, mesmo a nível global, que não podem ser colmatadas de forma fácil".

Na sua opinião, tal obriga a aumentar "a capacidade de formação de médicos na Madeira" mas, ao mesmo tempo, em corrigir algumas das falhas que inclusivamente "os colégios da especialidade" já detetaram durante as visitas que fizeram. Recordou também que em 2016 as vagas que foram disponibilizadas para a Madeira, em várias especialidades foram, provavelmente, "o maior mapa de sempre para a região".

Miguel Guimarães garante que perante os factos "a construção do novo hospital que já se fala há muitos anos, é uma urgência".

O bastonário apontou ainda o "problema muito sério" na área da psiquiatria na região, dado que a Madeira tem atualmente apenas um psiquiatra nos serviços públicos, apesar de estar para ser contratado mais um profissional.

Lusa