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Ações preventivas de incêndios baixaram em 2016

PAULO CUNHA

As ações preventivas de incêndios nas florestas baixaram em 2016, com uma quebra de 55% na rede primária de faixas de gestão de combustíveis e de 40% na manutenção da rede viária florestal, revela esta quarta-feira o INE.

As Estatísticas do Ambiente 2016 hoje divulgadas analisaram as ações de silvicultura preventiva levadas a cabo pelo Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF) e pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, da Região Autónoma da Madeira, em 2016.

"Verificou-se um decréscimo de todas as ações no continente face a 2015 (gestão de combustíveis, -24,6%, pontos de água beneficiados, -20,5%, manutenção de rede viária florestal, -40,9%, rede primária de faixas de gestão de combustíveis executada, -55%)", segundo o documento do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Na Região Autónoma da Madeira, acrescenta o relatório do INE, "a maioria das ações aumentou (gestão de combustíveis, 1.133,3%, pontos de água beneficiados, 300%, manutenção de rede viária florestal, 100%)".

No âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra incêndios, estão estabelecidas medidas e ações estruturais e operacionais relativas à prevenção e proteção da floresta, como recorda o INE.

Prevenir os incêndios implica o desenvolvimento de diversas atividades, nomeadamente ações de silvicultura preventiva, como gestão de combustíveis florestais (corte de mato, limpeza de povoamentos), beneficiação de pontos de água, manutenção da rede viária florestal (caminhos, estradões ou trilhos) e rede de faixas de gestão de combustível.

Em 2016, o número de sapadores florestais ao serviço inverteu a trajetória descendente, ao fixar-se nos 1.355 efetivos, mais 45 elementos que no ano anterior, o que possibilitou a criação de nove novas equipas.

As regiões do Centro e do Alentejo foram as que maiores acréscimos registaram, com mais 4% e 12%, respetivamente, correspondentes a cinco e três equipas de sapadores florestais.

O norte foi contemplado com mais uma equipa.Em 2016, pelo quarto ano consecutivo, o número de elementos afetos ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) no continente diminuiu, desta vez 2,3%, ficando com 875 elementos, menos 21 que no ano anterior, diz o INE.

Ao contrário de 2015, o número de atividades desenvolvidas pelo SEPNA em 2016 diminuiu 16,3%, fixando-se nas 58.027 ações.

Entre 2012 e 2016, continua o INE, "o efetivo decresceu a um ritmo médio anual de 1,2%, correspondendo a uma saída de 44 elementos, dos quais cerca de metade ocorreu no último ano".

A Região Autónoma dos Açores manteve o mesmo número de elementos, com um total de 30 efetivos, enquanto a Região Autónoma da Madeira perdeu um elemento, fixando-se nos sete efetivos, o número mais baixo do quinquénio.

Em 2017, segundo a cartografia provisória de áreas ardidas de 2017, o fogo atingiu 39,4 mil hectares de áreas protegidas no continente, mais 26,5 mil hectares que em 2016.As áreas protegidas mais afetadas foram o Parque Natural da Serra da Estrela (19,3 mil hectares, correspondente a 21,7% da área total do Parque Natural, face a 1,9 mil hectares em 2015) e o Parque Natural do Douro Internacional (7,4 mil hectares, correspondente a 8,5% do Parque Natural, face a 4,7 mil hectares em 2016).

A Paisagem Protegida da Serra da Gardunha foi afetada em 5,5 mil hectares em 2017, correspondente a 52,4% da área total da paisagem protegida.

Na Região Autónoma da Madeira, tendo em conta dados de 2016, arderam 3,6 mil hectares de área protegida, mais 3,2 mil hectares que em 2015.

Lusa