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Galp e Eni desistem da prospeção de petróleo em Aljezur, autarcas aplaudem

A Galp e a Eni decidiram abandonar o projeto de prospeção de petróleo em Aljezur, ao largo da costa alentejana, já que "as condições existentes tornaram objetivamente impossível" prosseguir as atividades de exploração.


"A Galp e a Eni tomaram a decisão de abandonar o projeto de exploração de fronteira na bacia do Alentejo.

Apesar de lamentarmos a impossibilidade de avaliar o potencial de recursos 'offshore' [no mar] do país, as condições existentes tornaram objetivamente impossível prosseguir as atividades de exploração", referem as empresas numa nota hoje divulgada.


As duas empresas escusam-se a fazer "comentários adicionais" dada "a existência de diversos processos judiciais em curso".

Autarquias do Algarve aplaudem

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Jorge Botelho, considerou hoje "uma boa notícia" para o Algarve o anúncio do abandono do projeto de prospeção de petróleo ao largo de Aljezur.

"É uma boa notícia para o Algarve. É bom para a sustentabilidade da região e para a competitividade do setor turístico", referiu o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) Jorge Botelho , sublinhando que o anúncio da Galp e Eni "cumpre o que era uma pretensão das autarquias".

De acordo com Jorge Botelho, o facto de o processo ter sido objeto de "algum escrutínio público e jurídico", através de ações de caráter cívico e de providências cautelares pode ter contribuído para a decisão do consórcio, hoje conhecida.

"A posição dos autarcas, empresários, associações e as ações em tribunal não terão sido alheias a este processo", considerou o também presidente da Câmara de Tavira (PS).

Em agosto, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé tinha deferido a providência cautelar interposta pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) para travar o furo de prospeção de petróleo, que estava previsto ter-se iniciado em setembro passado, em Aljezur.

LUIS FORRA

O consórcio liderado pela petrolífera italiana ENI previa iniciar a pesquisa de petróleo na bacia do Alentejo entre setembro e outubro, após uma preparação com uma duração estimada de três meses, segundo um relatório enviado à Agência Portuguesa do Ambiente.

Em nota divulgada hoje, a Galp e a Eni lamentam "a impossibilidade de avaliar o potencial de recursos" no mar português, mas admitem que as condições existentes "tornaram objetivamente impossível prosseguir as atividades de exploração".

As duas empresas escusam-se a fazer "comentários adicionais" dada "a existência de diversos processos judiciais em curso".

Com Lusa