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Moradores alertam para perigo de derrocada de estrada na praia Dona Ana em Lagos

Moradores de um edifício junto à praia da Dona Ana, no concelho de Lagos, no Algarve, alertaram esta quinta-feira para o "perigo iminente" de derrocada de uma estrada de acesso ao imóvel utilizada diariamente por dezenas de pessoas.

"A situação é de perigo iminente, porque a instabilidade da estrada tem-se agravado, ano após ano, devido à queda da arriba, sem que Câmara de Lagos e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) intervenham e resolvam o problema que põe em causa a segurança de quem por ali circula", disse à agência Lusa Maria Trigoso, uma das moradoras na zona.

O diretor regional do Algarve da APA, José Pacheco, afirmou que "a responsabilidade da reabilitação daquela estrada é da Câmara de Lagos, entidade a quem compete elaborar o projeto, que carece de um estudo geológico e de um parecer da APA" para efetuar a obra.

Face à acentuada degradação e instabilidade do troço de estrada de acesso ao imóvel de apartamentos Edifício Montana, a maioria para arrendamento turístico, Maria Trigoso apresentou no início deste ano uma queixa na PSP contra a autarquia e contra a APA, tendo a mesma sido arquivada pelo Ministério Público.

"Para meu espanto e indignação, a queixa, remetida pela polícia para o tribunal de Lagos, foi aí arquivada, facto do qual me foi dado conhecimento por carta, mas sem quaisquer explicações", sublinhou a moradora.

De acordo com Maria Trigoso, o problema foi colocado há mais de cinco anos ao então presidente do município de Lagos, "o qual remeteu a competência da obra para a APA, e que a única coisa legal que a câmara podia fazer era interditar a estrada, se a mesma colocasse em risco a segurança pública".

Outro morador em Lagos, Álvaro Gouveia, referiu que "o perigo existe há muito tempo, sem que tenha existido qualquer esforço em solucionar o problema", embora o mesmo seja conhecido da autarquia.

Por seu turno, o diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente considerou legítimas as apreensões dos moradores, "porque a situação é de risco, verificando-se que cerca de um terço ou um pouco mais do acesso já aluiu faz algum tempo".

"Na semana passada tive uma reunião na Câmara de Lagos e, entre os vários assuntos, até fui eu que falei nesse ponto que nem estava na ordem de trabalhos. Inclusivamente fui visitar o local para me inteirar e é uma situação que nós [APA] estamos a acompanhar", frisou.

José Pacheco adiantou que o estado em que se encontra a estrada "foi abordado com a autarquia" na "primeira oportunidade enquanto responsável regional da APA", cargo que ocupa há pouco mais de um mês.

"Antes disso houve outras reuniões em que se transmitiu à câmara municipal e eles acordaram em fazer o projeto. Isso, inclusivamente, está escrito", concluiu.

A agência Lusa tentou obter esclarecimentos por parte da Câmara Municipal de Lagos, mas não obteve qualquer resposta em tempo útil.

Lusa