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Descobertos báculos do primeiro cardeal-patriarca usados na Basílica de Mafra

Os dois báculos, em madeira entalhada e dourada, que foram utilizados pelo primeiro cardeal-patriarca de Lisboa, Tomás de Almeida, nas cerimónias de sagração da Basílica de Mafra, foram identificados, segundo a investigadora Teresa Leonor Vale.

"Cremos poder identificar dois báculos, em madeira entalhada e dourada, que se conservam entre as coleções do Palácio Nacional de Mafra, como sendo aqueles que foram utilizados" nas cerimónias da sagração da Basílica de Nossa Senhora e de Santo António de Mafra, em outubro de 1730, afirma a investigadora do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Os dois báculos terão cerca de 300 anos.

"Ambos os báculos se nos afiguram, pelos aspetos formais e decorativos que evidenciam, coerentes com a produção da época, e apresentam características que sustentam esta nossa convicção: a leveza de um deles (cumprindo assim o que se pretendia), o qual ostenta também a tiara pontifícia com as folhas de palma e o ramo de carvalho, alusivos à Patriarcal de Lisboa", afirma Teresa Leonor Vale.

A identificação dos báculos partiu de uma "fonte manuscrita", contemporânea da cerimónia de sagração, "fidedigna e pouco abordada", "que se conserva na Biblioteca da Ajuda", em Lisboa.

Adiantou a investigadora, especializada em Museologia e Conservação das Obras de Arte, que um dos báculos "apresenta no remate inferior o elemento de ferro a que o manuscrito supramencionado alude, a propósito da sua utilização para as marcações no pavimento durante as cerimónias".

A escolha de um material pouco nobre para a função e a dignidade do prelado, ficou a dever-se a um aspeto prático: "A grande extensão temporal da cerimónia, determinou assim que os báculos que o cardeal-patriarca usou, fossem de madeira, por serem mais leves".

"Com estes báculos, cremos, bateu Tomás de Almeida na porta da basílica para que ela se abrisse e assim se desse início à cerimónia de sagração e, com a sua extremidade, efetuou no pavimento da basílica as marcações devidas, a dado passo do complexo cerimonial", afirma Teresa Leonor Vale.

O grupo de investigação liderado por Teresa Leonor Vale projeta vir a editar o manuscrito da Biblioteca da Ajuda, que serviu de justificativo à identificação dos báculos usados na cerimónia de abertura oficial da Basílica de Mafra, e a Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra adiantou à Lusa que vai financiar o restauro das "duas peças ímpares no seu contexto histórico e cronológico".

Teresa Leonor Vale desenvolveu, entre 2004 e 2007, o projeto de investigação "Tumulária Portuguesa do Maneirismo e do Barroco", e de 2007 a 2013, um outro, intitulado "Ourives e Escultores. A ourivesaria barroca italiana em Portugal - acervo, contexto e processos de importação", ambos no âmbito de bolsas de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

A investigadora é autora de diversos livros e artigos, no domínio da História e da História da Arte, publicados em Portugal e no estrangeiro.

Lusa

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