País

Descarrilamento do elétrico 25 em Lisboa deveu-se a "erro humano"

MÁRIO CRUZ

Conclusões do inquérito apontam culpas ao guarda-freio.

O descarrilamento do elétrico da carreira 25, em Lisboa, que causou dezenas feridos ligeiros, deveu-se a "erro humano", não tendo o guarda-freio respeitado sinalização específica, nem acionado de "forma correta" os sistemas de frenagem, concluiu a Comissão de Inquérito.

"O acidente não pode ser justificado por anomalias no veículo, tendo-se provado que os respetivos sistemas de frenagem estavam em perfeitas condições de funcionamento", referem as principais conclusões do inquérito ao acidente de 14 de dezembro divulgadas hoje pela Carris.

A Comissão de Inquérito concluiu que "o acidente ocorreu por erro humano, não tendo o guarda-freio respeitado sinalização específica existente na Rua S. Domingos à Lapa, e não tendo posteriormente acionado de forma correta os sistemas de frenagem disponíveis no elétrico".

"O acidente é imputável ao desempenho do guarda-freio, que não atuou devidamente o travão reostático, logo após o reinício da marcha na paragem existente na parte mais inclinada da Rua de S- Domingos à Lapa. Por ter deixado o carro seguir sem atuação de qualquer freio durante algumas dezenas de metros, e, finalmente, por não ter efetuado a imobilização obrigatória, imposta pela sinalização específica", lê-se no documento.

O Relatório Final ao Acidente Grave foi elaborado pela Comissão de Inquérito a Acidentes Graves depois de uma análise pormenorizada às condições da via, da linha aérea e do veículo, e depois de recolhidos os depoimentos dos intervenientes e testemunhas.

Pelos relatos e indícios recolhidos no local, por vários elementos responsáveis, "o elétrico desceu a Rua de S. Domingos às Lapa de forma desgovernada, em excesso de velocidade, que lhe permitisse efetuar a curva, de raio muito reduzido e com declive descendente, sem que o descarrilamento não se verificasse".

Segundo o documento, "o acidente não pode ser imputável às condições da linha nem da via férrea, uma vez que todas as medições realizadas comprovam que o seu estado se encontra dentro dos limites definidos de segurança".

O descarrilamento do elétrico 576, carreira 25E, que faz a ligação (Campo de Ourique -- Praça da Figueira), ocorreu no dia 14 de dezembro no cruzamento da rua São Domingos à Lapa com a rua Garcia de Orta, cerca das 18:00, tendo feito 28 feridos ligeiros, incluindo o guarda-freio.

À data do acidente, o guarda-freio tinha 23 dias de condução, tendo iniciado a atividade no passado dia 06 de novembro, e já tinha tido um acidente com responsabilidade no dia 06 de dezembro, refere a Carris, sem avançar mais pormenores sobre este acidente.

Posteriormente a este acidente de 06 de dezembro, o guarda-freio foi acompanhado e foram dados conselhos para guardar distância de segurança para os veículos da frente.

"Em termos de condução, o tripulante apresentou algumas dificuldades ao nível da passagem por obstáculos, dificuldade essa que foi melhorando ao longo do tempo após várias correções e sensibilizações", adianta a Carris.

"Do ponto de vista das suas aptidões físicas e psicológicas não apresenta inconvenientes para o exercício das suas funções", acrescenta a empresa.

Questionado no local poucos minutos depois do acidente, "o guarda-freio alegou que não tinha condições" para prestar declarações, alegando que estava "afetado emocionalmente", refere o relatório.

O condutor foi sujeito ao teste de álcool, tendo acusado menos de 0,5 gramas por litro de sangue, refere o relatório que apenas refere dois itens: Taxa de Álcool no Sangue inferior a 0,5 g/l e superior a 0,5 g/l.

Com Lusa

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