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Nuno Melo ataca sondagens, "forma indecente de condicionar resultados"

Nuno Melo ataca sondagens, "forma indecente de condicionar resultados"

Nuno Melo diz que as sondagens em Portugal são uma forma indecente de condicionar resultados. O cabeça de lista do CDS-PP às europeias diz que, por isso, deviam deixar de ser publicadas nas semanas antes das eleições.

“Pela forma como as sondagens têm falhado em Portugal, como condicionam o comportamento do eleitorado, não deveriam ser publicadas nas vésperas, como estamos, de eleições, porque realmente motivam, condicionam escolhas em função da expectativa que as pessoas têm”, afirmou Nuno Melo, em entrevista à agência Lusa.

Questionado se considera existir uma manipulação por parte das empresas responsáveis pelos estudos de opinião, afirmou: “Não sei se é uma manipulação, não sei se é um erro técnico, uma coisa ou outra são más.”

Nuno Melo recordou que, perante as sondagens que, hoje, dão votações baixas e a possibilidade de eleger um eurodeputado, já viu “o que está a acontecer” em 2009, quando várias sondagens davam ao CDS uma intenção de voto de “dois a três por cento” e ao PS uma vitória nas europeias.

“Contados os votos, o PS perdeu as eleições e o CDS elegeu dois eurodeputados. No final continua tudo na mesma, não há responsabilidades para ninguém”, acrescentou.

Para o eurodeputado, “não é possível” que, feitas com “métodos razoavelmente científicos”, as sondagens darem resultados tão díspares.

Se dependesse apenas dele, “não se publicavam sondagens em vésperas de eleições, um mês ou nos meses antecedentes às eleições”, porque “são uma forma indecente de condicionar resultados”, afirmou.

“Já em 2009 a técnica era esta: a da motivação do voto útil. Sondagens com empates técnicos e depois a direita, que quer a desforra do dr. António Costa mobiliza-se para votar no PSD, que é um partido maior. A esquerda, que não quer que a direita a volta ao poder, concentra-se no PS, basicamente desvalorizando ou tentando desmotivar as pessoas a votarem nos outros partidos”, descreveu.

Em entrevista à Lusa, Nuno Melo relativiza a ameaça eleitoral que novos partidos à direita, como o Aliança, de Pedro Santana Lopes, ou o Chega, de André Ventura, remetendo-os para “dissidências do PSD”.

“Não confundo novos partidos à direita com dissidências do PSD. Se o dr. Pedro Santana Lopes, há um ano, tivesse vencido o congresso, ainda hoje estava com os dedos em ‘v’ a dizer PPD/PSD. Ninguém se transforma, depois de quarenta e muitos anos na política, em seis meses, noutra coisa completamente diferente”, afirmou.

E nem o Aliança nem o Chega representam “uma vocação originária”, um projeto original, em termos políticos, acrescentou.

O próprio assume-se como “um político de direita” sem preconceito de comentar uma frase atribuída ao ex-líder do CDS Paulo Portas (“À direita do CDS, só a parede”) como forma de travar populismos.

“Sou um político de direita. Uma das circunstâncias mais lamentáveis da vida política atual é o absoluto condicionamento a um certo politicamente correto, em que as pessoas não dizem o que pensam porque se movem exclusivamente pelo que acham, intuem que as pessoas querem ouvir”, começou por dizer.

Para Nuno Melo, “uma das grandes razões para a ascensão dos extremismos e dos nacionalismos na Europa está na forma com os partidos moderados não assumem de frente problemas que existem”, deixando “margem nas soluções a todos os outros que, em condições normais, nunca venceriam eleições ou pelo menos não cresceriam nas urnas.

“Não tenho um discurso musculado, tenho um discurso de um político que é de direita e que não se dilui num certo do bloco central em que, por exemplo, PS e PSD são, em larga medida, zonas cinzentas”, argumentou.

Lusa

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