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Greve na Central de Cervejas continua apesar da "disponibilidade" da empresa para negociar

Nguyen Huy Kham

Os trabalhadores realizam um plenário esta manhã, no qual participa o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

A administração da Sociedade Central de Cervejas (SCC) "mostrou disponibilidade" para retomar as negociações do acordo de empresa, mas os trabalhadores vão manter-se em greve até domingo.

Apesar da abertura manifestada pela empresa, instalada em Via Longa, distrito Lisboa, Rui Matias disse à Lusa que os trabalhadores irão cumprir o protesto, conforme previsto, a greve iniciada esta semana em três períodos distintos de duas horas (das 00:00 às 02:00, das 05:00 às 07:00 e das 08:30 às 10:30) para reivindicar aumentos salariais e progressão na carreira.

Em stand by fica a possibilidade de uma greve ao trabalho suplementar, que irá a votação no plenário marcado para as 09:00 de hoje - que se mantém - e no qual participará o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

"A questão da greve ao trabalho suplementar fica em 'stand by'. Ficaremos a aguardar a negociação e depois veremos com calma e com alguma sensatez, com os trabalhadores, o caminho a seguir", afirmou à Lusa o dirigente do SINTAB.

Segundo o dirigente sindical, a greve voltou ontem a registar "um sucesso tremendo", com uma adesão de 100%, mantendo-se "todos os trabalhadores à porta da empresa" nos horários da paralisação e ficando a produção "totalmente parada" nesses períodos.

Os trabalhadores reclamam "aumentos salariais dignos e justos", que diminuam a atual "desigualdade salarial", exigindo uma atualização "na ordem de 4%", num mínimo de 40 euros, e de 1% no subsídio de turno, refere o sindicato.

Segundo Rui Matias, pretendem ainda uma revisão das avaliações, das promoções e das carreiras profissionais, já que sentem "um desagrado muito grande" a este nível: "O desenvolvimento profissional está completamente estagnado.

Há cerca de 13 anos que o modelo de evolução profissional contemplou menos de 10% dos trabalhadores, num total de cerca de 350, ou seja, estamos a falar de 20 e poucos trabalhadores que tiveram algum desenvolvimento profissional neste período", afirmou.

Contactado pela Lusa, o diretor de comunicação e relações institucionais da SCC garantiu na segunda-feira que a empresa está aberta "ao diálogo" e recordou que nos últimos três anos o acordo alcançado em termos salariais "foi sempre acima do valor da inflação verificada": em 2016 o aumento foi de 2% de aumento, num mínimo de 20 euros, em 2017 ascendeu a 30 euros, e em 2018 a subida foi de 2%, num mínimo de 20 euros, acrescido de um prémio individual de 1.000 euros para todos os colaboradores abrangidos pelo acordo de empresa".

Com Lusa