País

Tritão-de-ventre-laranja em risco de desaparecer da Serra da Estrela

Marco Saraiva

Uma estirpe agressiva de um vírus pode levar à extinção da espécie, num prazo de dez anos

O tritão-de-ventre-laranja pode estar em risco de desaparecer dentro de dez anos da Serra da Estrela.

É o que revela um estudo publicado na revista científica Animal Conservation, que tem como primeiro autor o investigador Gonçalo Rosa, do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Universidade de Lisboa e do Instituto Zoológico de Londres, no Reino Unido.

Em causa uma estirpe agressiva de ranavírus que tem causado a morte em massa de anfíbios na Serra da Estrela, como explica o investigador Gonçalo M. Rosa.

"O ranavírus está associado a episódios pontuais de mortalidade em massa"

Com base no estudo de populações desta espécie, os investigadores concluem que recuperação destas populações pode ser mais difícil do que inicialmente se pensava, pelo facto de o número de fêmeas ter diminuído drasticamente e não existir ainda tratamento conhecido para este vírus.

"Recuperação da espécie será severamente condicionada por esta mortalidade diferencial em fêmeas"

Embora não exista ainda tratamento conhecido para a doença, têm vindo a ser testadas diferentes formas de minimizar os impactos deste vírus em populações selvagens, explica Gonçalo M. Rosa.

"Tem vindo a ser testadas diferentes formas de mitigar deste vírus em populações selvagens"

O desaparecimento do tritão-de-ventre-laranja na natureza teria um "enorme impacto" na sustentabilidade dos ecosistemas. Os anfíbios, explica Gonçalo M. Rosa estão no meio da cadeia alimentar e ajudam no controlo de pragas.

"Desaparecimento desta espécie teria um enorme impacto na saúde e sustentabilidade dos ecosistemas"


O tritão-de-ventre-laranja é uma espécie de anfíbio endémica da Península Ibérica que se caracteriza pela coloração laranja na região da barriga que lhe dá o nome por que é conhecida. Mede entre 65 e 90 milímetros de comprimento.

Este vírus está a afetar pelo menos duas espécies de tritões (o de ventre-laranja e o tritão-marmoreado) bem como do sapo-parteiro. Foram ainda detetadas infecções em todas as outras espécies de anfíbios na Serra e em diferentes estádios de vida, desde larvas a adultos.

Foto: Marco saraiva

Foto: Marco saraiva

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