País

Marcelo foi voluntário no Banco Alimentar contra a fome

Presidente salienta que a contribuição de todos é fundamental numa altura em que "o número de instituições à espera de apoio é preocupante"

O Presidente da República disse hoje ser fundamental que o crescimento económico dê resposta às 188 instituições do distrito do Porto em lista de espera para receber apoio do Banco Alimentar, considerando este um "número preocupante".

"É preocupante, primeiro porque confirma aquilo que sabemos todos que é a pobreza em Portugal e o risco de pobreza. Melhor com a saída da crise, mas ainda é uma realidade, uma sombra no nosso país. Significa muita gente a precisar de apoio e muitas instituições a precisarem de apoio para chegarem àqueles que precisam mais do que todos os outros", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o chefe de Estado, que falava no final da visita ao armazém do Banco Alimentar do Porto, em Perafita, onde participou na separação dos bens alimentares recolhidos no primeiro dia de campanha, no futuro, esta lista, que existe um pouco por todo o país, "tem de ser satisfeita".

"A contribuição de todos é fundamental, mas é fundamental que o próprio crescimento económico vá proporcionando responder a essa questão", concluiu.

Em declarações à Lusa, o presidente do Banco Alimentar Contra a Fome do Porto, António Cândido Silva, revelou que atualmente no distrito do Porto são apoiadas 300 instituições, havendo mais 188 em lista de espera.

Para aquele responsável, esta é uma realidade "muito preocupante" sobretudo no Norte do país onde "há pobreza e fome".

Com esta visita às instalações de Banco Alimentar Contra a Fome do Porto, o Presidente da República, cumpre a promessa feita aquando da visita às instalações no 25.º aniversário do grupo nortenho, em 14 de maio, de que voltaria para ajudar na separação de donativos "também para mostrar que o país não é só Lisboa".

Aos jornalistas, Marcelo destacou o papel dos milhares de voluntários que aqui se juntam, pondo o voluntariado "acima de tudo, até do percurso escolar", e renovou o apelo para que "quem possa contribuir" o faça.

"É um dever cívico de todos. O que a pessoas puderem dar? se é uma lata de atum, é uma lata de atum, se é um pão, se é uma lata de salsichas (...) quem puder dar, o que pode dar, está a contribuir para ajudar mais dois milhões de pessoas", salientou.

Os Bancos Alimentares contra a Fome promovem durante o fim de semana mais uma Campanha de Recolha de Alimentos com o objetivo de levar comida a quem mais precisa.

A campanha reúne 40.000 voluntários, 2.400 instituições parceiras e 21 Bancos Alimentares e com esta iniciativa a organização explica que pretende dar um contributo para inverter o cenário de carência alimentar que continua a afetar muitas famílias.

Os Bancos Alimentares contra a Fome apoiam mais de 400 mil portugueses e com a campanha os portugueses são convidados a contribuir, seja através da doação de bens alimentares ou de vales, disponíveis nos supermercados e hipermercados e ainda online, ou nos postos de abastecimento a nível nacional.

Segundo a presidente da Federação Portuguesa de Bancos Alimentares contra a Fome, o mote desta campanha será 'É preciso mais para que falte ainda menos', e fará apelo à natureza intrínseca do conceito de 'rede social'.

Este ano a campanha voltará ainda a disponibilizar vales que poderão ser solicitados nas caixas dos supermercados e nos postos de abastecimento de combustível aderentes.

Cada vale tem um código de barras específico associado aos produtos que cada pessoa queira doar ao Banco Alimentar.O apoio alimentar é distribuído a pessoas com carências comprovadas em parceria com instituições de solidariedade, sob a forma de cabazes de produtos ou de refeições confecionadas.

Lusa