País

Cerca de 400 operacionais testam capacidade de resposta a sismo

Bogdan Cristel

Simulacro foi realizado em Almada.

Cerca de 400 operacionais de proteção civil testaram esta quinta-feira em Almada, no distrito de Setúbal, a capacidade de resposta a um sismo, num exercício que permite identificar o que há a melhorar no plano municipal de emergência.

O simulacro, que está a acontecer nos antigos terrenos da Lisnave, na Margueira, faz parte do Exercício Europeu de Proteção Civil 'CASCADE'19', que decorre até 01 de junho em quatro distritos e mobilizará mais de 3.600 operacionais portugueses e estrangeiros.

No caso de Almada, pelas 15:30 iniciou-se a simulação de um evento sísmico, na zona urbana da cidade, o que desencadeou uma série de ocorrências de vários tipos, como acidentes rodoviários, aquáticos e industriais, colapso de infraestruturas, socorro a vítimas ou danos em redes de distribuição de água e energia.

"Este teste e avaliação permitirá que possamos reforçar e melhorar o nosso Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil e também ter mais segurança no concelho", disse à Lusa a vereadora da Proteção Civil na Câmara de Almada, Francisca Parreira.

De acordo com a autarca, serão testados "vários riscos", o que é importante para que o município "esteja mais preparado ao nível da prevenção para ocorrências reais".

O coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil, António Godinho, adiantou que, na parte da manhã, a iniciativa contou com a participação de 150 operacionais que avaliaram as necessidades no terreno.

Pela tarde, iniciou-se o "cenário de socorro" e foi necessário acionar mais meios, colocando no terreno as várias equipas de assistência, como bombeiros, INEM e forças policiais, incluindo a Policia Marítima, uma vez que "Almada tem uma grande proximidade ao rio e ao oceano atlântico", referiu o coordenador.

Os vários cenários testados hoje levaram, assim, à mobilização de "cerca de 400 operacionais", segundo um responsável da proteção civil municipal Ricardo Pires.

Neste exercício colaboraram 24 entidades locais, desde Proteção Civil, Polícia Marítima, PSP, GNR, serviços da Câmara de Almada, juntas de freguesia e centros de saúde, além de duas equipas de proteção civil dos Açores e de Santarém.

Também na quarta-feira se realizaram outros dois simulacros em Almada, testando a capacidade de resposta a uma rotura de represa de água, na Quinta do Robalo, na Caparica, e o colapso na via rodoviária de acesso à Fonte da Telha, o qual António Godinho destacou.

"Queria realçar o sucesso de uma situação que para nós é delicada: o acesso a uma área balnear, a Fonte da Telha, que normalmente só tem um acesso rodoviário para entrada e saída. Temos uma resposta preparada há uns anos, que tem sido aperfeiçoada, de se ter um caminho alternativo em que as pessoas possam sair em caso de emergência e ontem [Notes:quarta-feira] foi uma oportunidade para testar em situação real", explicou.

O objetivo do 'CASCADE'19' é treinar e testar a capacidade de resposta conjunta e integrada do Sistema Nacional de Proteção Civil e da União Europeia, num cenário que prevê múltiplas e complexas situações de emergência, provocadas por sismos, condições meteorológicas extremas, inundações por cheias em cursos de água, acidentes com barragens, acidentes em complexos industriais e poluição marítima, que irão suceder em "cascata".

O exercício realiza-se nos distritos de Aveiro, Évora, Lisboa e Setúbal e conta com a participação de cerca de 150 operacionais de Espanha, Bélgica, Alemanha, Croácia e França.No total vão estar envolvidos 22 municípios que vão ter 60 cenários diferentes para testar a capacidade das respostas local, nacional e internacional, segundo a ANEPC.

Lusa

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