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Homem julgado no Porto por alegada tentativa de agredir pastor da IURD em missa

Os factos levados a julgamento reportam-se a 21 de agosto de 2015.

O tribunal criminal do Bolhão, no Porto, está a julgar um veterinário acusado de tentar agredir um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), durante uma celebração daquela confissão religiosa, que teve mesmo de ser interrompida.

Ouvidos hoje em tribunal, vários outros médicos veterinários e o próprio tio do arguido indicaram que o homem desaprovava que a mãe seguisse aquela confissão religiosa, sobretudo numa altura em que as dificuldades financeiras e os problemas de saúde dela se acentuavam.

"A mãe passava lá a vida. Terá havido problemas no seio da família por causa disso", testemunhou o tio.

"Quando a mãe recorreu à IURD, o [arguido] não apoiou isso. Creio que tinha a ver com gastos monetários", afirmou um dos veterinários que estudou com o arguido e que prestou depoimento ao tribunal por teleconferência a partir de Ponta Delgada, nos Açores.

Porém, nenhuma das testemunhas fez qualquer associação direta da degradação da situação financeira da família a contributos, alegadamente desmesurados, da mulher à confissão religiosa.

"Não tenho nenhuma prova concreta", afirmou um dos arguidos, quando questionado pela advogada da IURD, que se constituiu demandante no processo.

Os factos levados a julgamento reportam-se a 21 de agosto de 2015, altura em que, segundo o Ministério Público, o arguido, um médico veterinário de 42 anos, entrou no salão de culto da IURD na Rua Egas Moniz, no Porto, e "começou a gritar e a esbracejar", dirigindo-se de seguida ao pastor que presidia ao culto "com a intenção de o agredir".

"Só não logrou o seu intento por ter sido impedido pelo pastor que auxiliava o culto", assinala a acusação.Também segundo o MP, a celebração teve de ser interrompida e o arguido teve de ser retirado à força do salão de culto com o auxílio de um segurança.

Ainda proferiu insultos e "pontapeou cadeiras e outros bens móveis que apareciam pelo caminho". O MP imputa ao veterinário um crime de perturbação de ato de culto.

Testemunhos prestados em tribunal indicam que o arguido entrou no templo da IURD para ir buscar a mãe, uma antiga católica que se teria tornado seguidora acérrima da IURD e que estaria a enfrentar perturbações de ordem psicológica.

Quanto ao que se passou em concreto dentro do templo, a defesa requereu o visionamento de supostas imagens de videovigilância, mas a IURD disse não as ter. A juíza do processo indeferiu hoje a pretensão.

O arguido chegou mesmo a apresentar queixa contra um dos pastores envolvidos no processo por alegada agressão -- e o pastor acabou por fazer o mesmo -, mas o MP arquivou aos autos quanto a este aspeto.

O tribunal concluiu a sessão de hoje sem marcar a próxima audiência, o que só fará quando receber do Instituto de Reinserção Social o relatório social do arguido, hoje mesmo pedido.

Lusa