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Estudantes de Direito de Coimbra acusam professor de violar o regulamento e boicotam provas

PAULO NOVAIS/LUSA

Em causa está a decisão do professor Victor Calvete de não cotar para 20 valores a prova escrita.

O Núcleo de Estudantes de Direito da Associação Académica de Coimbra convocou para terça-feira, 25 de junho, um "boicote pacífico das provas orais" de Economia Política II, em protesto contra os critérios de avaliação da cadeira.

Os estudantes acusam o docente responsável pela disciplina, Victor Calvete, de usar critérios de avaliação que violam, "de forma clara", o Regulamento do Curso de Licenciatura em Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Em causa está a decisão de Calvete de não cotar para 20 valores a prova escrita. O método de correção utilizado na prova escrita consistiu na atribuição de 0,26 valores (resultado da divisão de 20 valores pelas 75 questões da prova) a cada uma das respostas corretas, excluindo a cotação da 75.ª questão, dando a cotação máxima possível à prova escrita de 19 valores.

"Esta divisão de cotações, para além de ser matematicamente incompreensível, é pedagogicamente insustentável, sendo óbvio o prejuízo e a injustiça que os estudantes avaliados sofreram, existindo estudantes que se encontram reprovados através deste método que não o estariam caso o mesmo cumprisse o regulamento e a lei", referem os estudantes em nota divulgada hoje.

Os estudantes concluem que "é impossível a qualquer estudante, por mais brilhante que seja, obter a classificação de 20 valores na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra", colocando-os em desvantagem em relação a alunos de outras escolas de Direito.

O Núcleo disse à Lusa que contactou o professor da cadeira, mas a resposta que recebeu foi:

"Quero deixar bem claro que não lhes vou responder", avisou Victor Calvete.

Perante esta resposta, o Núcleo avançou com o boicote "numa demonstração de solidariedade e apoio aos colegas incorretamente avaliados, não compactuando com uma avaliação que considera manifestamente injusta e não permitindo que a mesma se legitime com o avanço do processo formal de avaliação".

Lusa