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Um terço dos agressores de violência doméstica em 2018 tinham problemas com álcool

No total foram registadas, no ano passado, 26.432 participações de violência doméstica.

Cerca de um terço dos agressores de violência doméstica com queixa nas forças de segurança em 2018 apresentavam problemas relacionados com o consumo de álcool e 17% com droga, segundo o relatório que monitoriza anualmente este crime.

O Relatório Anual de Monitorização referente a 2018, divulgado esta terça-feira, é feito pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna e faz uma caracterização detalhada das ocorrências de violência doméstica reportadas à PSP e GNR, que representam quase a totalidade das participações registadas pelos órgãos de polícia criminal.

O documento revela que, em 2018, a PSP e a GNR receberam uma média de 2.203 participações por mês, 72 por dia e três por hora.

No total foram registadas, no ano passado, pelas forças de segurança 26.432 participações de violência doméstica, 11.913 das quais pela GNR e 14.519 pela PSP, correspondendo a uma diminuição de 1,2% face a 2017.
Lisboa (5981), Porto (4614), Setúbal (2458), Aveiro (1804) e Braga (1801) foram dos distritos onde se registaram mais queixas.

O relatório, que faz uma análise entre 2008 e 2018, indica que as participações de violência doméstica diminuíram 0,4%, dando conta de um aumento entre 2008 e 2010, ano que atingiu o máximo com 31.235 queixas, registando depois uma diminuição em 2012 e a partir de 2013 tem-se verificado uma estabilização.

O valor mínimo de participações à PSP e GNR ocorreu em 2018.

O documento indica também que, no ano passado, o mês de agosto foi o que registou mais casos de violência doméstica, que ocorreram em maior número ao fim de semana e à noite, sendo 77% das situações reportadas às forças de segurança no próprio dia ou no dia seguinte.

Em 46% dos casos a denúncia foi feita presencialmente e a maior parte da intervenção policial ocorreu motivada por um pedido da vítima, refere o relatório, sublinhando que em 21% dos casos registados pela PSP existiam ocorrências anteriores e 31% das situações foram presenciadas por menores.

Em 2018, 40% das vítimas de violência doméstica sofreram ferimentos ligeiros e 59% não tiveram qualquer lesão física, havendo lugar para internamento em 1,2% das situações registadas pelas forças de segurança.

O relatório de 2018 revela igualmente que a violência física esteve presente em 65,7% das situações, a psicológica em 76,5%, a sexual em 1,9%, a económica em 6,8% e social em 13,2%, frisando que a maior parte das vítimas de violência doméstica (83%) é mulher, tem uma idade média de 42 anos, não depende economicamente do agressor.

Além de 34,3% dos agressores terem problemas com álcool e 16,6% com drogas, cerca de 5,3% possuíam uma arma e em 5% das situações foi utilizada uma arma branca ou de fogo.

Segundo o Relatório Anual de Monitorização de 2018, foram feitas 803 detenções, o que corresponde a mais 100 detenções face a 2017 (mais 14,2%), verificando-se um aumento contínuo neste número desde 2009.

Entre 2009 e 2018 as detenções domais que triplicaram.

O documento da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna indica ainda que as forças de segurança tinham, em 2018, um total de 1088 efetivos com responsabilidades específicas de violência doméstica (534 na GNR e 554 na PSP).

Cerca de 63% dos postos e esquadras da PSP e da GNR dispunham de uma sala de atendimento à vítima.

Em 93,6% dos casos registados pelas forças de segurança ocorreu a atribuição do estatuto da vítima.

A Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna divulgou também hoje o Relatório Anual de Monitorização de 2017, que faz a caracterização desse ano.

Lusa