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Durão Barroso gostaria de ver PSD "mais liderante" na causa ecológica

Sebastien Pirlet

Ex-líder do PSD considera que partidos ditos 'mainstream' não têm sido capazes de liderar em causas que interessam sobretudo às novas gerações.

O antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso afirmou esta terça-feira que gostaria de ver o PSD mais liderante na causa ecológica, e defendeu que o partido não pode ser considerado conservador, estando "muito mais próximo do centro".

"Pessoalmente, gostaria de ver o PSD mais liderante na causa ecológica. O PSD foi historicamente um dos partidos, se não o partido, que mais fez por essa agenda e há que retomá-la com vigor", referiu, em resposta escrita a perguntas formuladas por alunos da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política que decorre até domingo em Castelo de Vide.

Questionado se Portugal pode ser contaminado pela fragmentação partidária que se verifica na Europa, com a emergência de correntes de extrema direita e de extrema esquerda, o antigo líder do PSD e primeiro-ministro português salientou que o país não tem assistido a qualquer movimento significativo de extrema-direita que pudesse "constituir uma ameaça poderosa contra a área do centro-direita".

"Tudo isto apesar dos esforços da nossa esquerda e extrema esquerda (a quem os media curiosamente nunca designam por extrema esquerda...) para ver o 'papão' da extrema direita em todo o lado e até de designar às vezes por 'conservador' o PSD, o qual é na realidade um partido muito mais próximo do centro do que dos extremos e uma força política que em nenhum país europeu seria considerada conservadora", afirmou, nas respostas que serão publicadas do jornal diário interno da iniciativa, o JUV.

Ainda assim, Durão Barroso reconhece que se está a verificar em Portugal "algum fenómeno de fragmentação partidária", com o crescimento do BE e a criação mais recente do PAN, atribuindo parte da responsabilidade aos partidos tradicionais.

"Isso porque os partidos ditos 'mainstream' (tal como também vem acontecendo noutros países europeus) não têm sido capazes de liderar em causas que interessam sobretudo às novas gerações, como as da ecologia e do combate às alterações climáticas, por exemplo. Ou, então, não têm sabido adaptar-se a novas formas de comunicação", afirmou, manifestando então o desejo de que o PSD possa liderar nestas áreas.

Durão Barroso foi líder do PSD entre 1999 e 2004 e primeiro-ministro entre 2002 e 2004, altura em que deixou o cargo para assumir funções como presidente da Comissão Europeia durante dez anos.

Lusa