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Mais de metade das vagas de ginecologia/obstetrícia ficaram por preencher

© Arko Datta / Reuters

Apenas 14 dos 31 postos de trabalho identificados foram escolhidos pelos candidatos.

Mais de metade das vagas abertas em maio para especialistas de ginecologia/obstetrícia ficaram por preencher, num verão em que as urgências de obstetrícia de Lisboa estiveram para fechar de forma rotativa por falta de especialistas.

Segundo os dados do concurso de primeira época deste ano para médicos recém-especialistas, dos 31 postos de trabalho identificados apenas 14 (45%) foram escolhidos pelos candidatos.

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) tinha admitido avançar com um sistema rotativo de funcionamento durante o verão nas urgências obstétricas da Maternidade Alfredo da Costa, Hospital de Santa Maria, São Francisco de Xavier, Amadora-Sintra e Hospital Garcia de Orta, mas a decisão acabou por não ser tomada.

Depois de a ministra da Saúde ter garantido na Comissão Parlamentar, a meio de julho, que não seria por falta de recursos humanos que as escalas das maternidades do país não seriam garantidas, a ARSLVT acabou por fazer um balanço positivo em relação ao atendimento às grávidas que no mês de julho recorreram às urgências de ginecologia e obstetrícia da capital.

Contudo, no início de agosto a Ordem dos Médicos avisou que as maternidades portuguesas estavam a ultrapassar a situação limite, com profissionais a fazerem um "esforço sobre-humano" e a cumprirem num mês mais de 100 horas de serviço de urgência além do habitual.

O presidente da secção regional Sul da Ordem, Alexandre Valentim Lourenço, admitiu na altura, em entrevista à agência Lusa, que as equipas estavam esgotadas, que havia médicos a desistirem do sistema e queixou-se da ausência de medidas da tutela para resolver os problemas identificados pelos profissionais, sobretudo em relação ao período do verão, depois de em final de junho terem sido apresentadas propostas pela Ordem.

À falta de profissionais veio juntar-se um acréscimo de trabalho. No Santa Maria, em Lisboa, por exemplo, as urgências de obstetrícia funcionavam há seis anos com equipas completas e tinham 12 mil episódios num ano. No ano passado, o fluxo de urgências foi de 18 mil episódios, enquanto se assistiu a uma diminuição do número de médicos.

Depois da entrevista à Lusa, no mesmo dia, a ARS de Lisboa veio reconhecer "constrangimentos pontuais" nas maternidades, mas sublinhou que "o esforço suplementar dos profissionais" permitiu criar condições para preencher as escalas de serviço nos meses de verão.

Na primeira semana de agosto, o Correio da Manhã noticiou a morte de um bebé de uma mulher grávida, com 32 semanas de gestação, que teve de ser transferida de Faro para o Hospital Amadora-Sintra, em Lisboa, por insuficiência de recursos no Algarve, nomeadamente falta de incubadoras, segundo o jornal.

Já na segunda-feira, os médicos denunciaram escalas abaixo dos mínimos nas maternidades de Coimbra e o secretariado regional do Centro do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) exigiu que o Governo resolva com a "máxima urgência" a falta de obstetras naquelas maternidades.

Lusa