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Ivo Scapolo é o novo representante diplomático do Papa em Portugal

Gregorio Borgia

O novo representante diplomático em Portugal exercia as mesmas funções no Chile desde 2011.

O Papa Francisco nomeou o arcebispo italiano Ivo Scapolo, 66 anos, para núncio apostólico em Portugal, noticia hoje a agência Ecclesia, citando o gabinete de imprensa do Vaticano.

O novo representante diplomático em Portugal exercia as mesmas funções no Chile desde 2011 e sucede agora no cargo em Lisboa a Rino Passigato, que renunciou por limite de idade.

Scapolo nasceu em Pádua e foi ordenado sacerdote em 1978, entrando no serviço diplomático em 1984 para exercer funções nas representações pontifícias de Angola, Portugal e Estados Unidos da América.

"Como núncio apostólico representou a Santa Sé na Bolívia (2002-2008), Ruanda (2008-2011) e Chile (2011-2019)", escreve a Ecclesia, recordando que a igreja católica chilena foi afetada nos últimos anos por uma crise provocada por casos de abusos sexuais que levaram à renúncia de vários bispos e à intervenção do papa.

A visita do Papa Francisco ao Chile, em 2018, ficou envolta em polémica com indicações de que o pontífice foi mal informado pelo seu "núncio apostólico" Ivo Scapolo, bem como pela hierarquia do episcopado católico chileno.

Algumas vítimas de abuso sexual no Chile queixaram-se da falta de apoio do núncio italiano, designado para trabalhar no país no verão de 2011.

Um deles, Juan Carlos Cruz, que foi recebido pelo Papa Francisco no Vaticano, manifestou hoje na sua conta no Twitter a sua alegria pela transferência de Ivo Scapolo, dizendo "ele é um dos que arruinou a Igreja no Chile. Menos um no Chile!".

Durante a sua viagem ao país, o Papa declarou-se convencido da inocência do bispo Juan Barros, suspeito de ocultar os atos pedófilos do padre Fernando Karadima, e pediu às alegadas vítimas provas da sua culpa.

Mais tarde pediu desculpa por estas declarações afirmando ter sido mal informado e enviou dois investigadores ao país para análise aprofundada do caso.

Depois de ler as conclusões de 2.300 páginas da investigação, que incluía 64 depoimentos recolhidos no Chile e nos Estados Unidos, o pontífice admitiu ter cometido "erros graves" de apreciação e falou de uma "falta de informação".

O Papa enviou uma carta aos 34 bispos chilenos convocando-os para uma reunião em Roma em maio de 2018, depois de estes terem apresentado a sua renúncia coletiva, um passo sem precedentes na história recente da Igreja Católica.

Desde então, Francisco aceitou algumas dessas renúncias, incluindo a do arcebispo de Santiago do Chile, cardeal Ricardo Ezzati, 77 anos, acusado de ter encoberto padres pedófilos, mas também o de seu ex-protegido Monsenhor Juan Barros.

Um total de 158 casos de abuso sexual envolvendo 219 membros da Igreja estão a ser investigados no Chile. Das 241 vítimas identificadas, 123 eram menores na altura dos abusos.

Esses casos revelados nos últimos anos reduziram a influência da Igreja na sociedade chilena, que já foi uma das mais católicas e conservadoras da América Latina.

Na sequência desta crise chilena o Papa decidiu realizar uma cimeira sobre proteção de crianças e abusos sexuais na Igreja, a 21 a 24 de fevereiro deste ano no Vaticano, convocando os presidentes de todas as conferências episcopais.

Em Portugal o cardeal patriarca de Lisboa criou em abril uma Comissão para a Proteção de Menores composta por especialistas nas áreas da psicologia, psiquiatria, justiça civil e canónica e comunicação social, coordenada pelo bispo Américo Aguiar.

Um mês depois o Papa Francisco anunciou legislação mais rigorosa que obriga os sacerdotes e os religiosos a denunciar suspeitas de abusos sexuais na igreja, assim como qualquer encobrimento pela hierarquia e determinou que todas as dioceses do mundo tinham de criar antes de junho de 2020 um sistema acessível a quem quiser fazer uma denuncia, bem como a total proteção e assistência aos denunciantes.

Lusa