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Pelo menos 20 detidos em operação da PJ contra auxílio à imigração ilegal

SIC/ Arquivo

Funcionários da Segurança Social e do SEF entre os detidos na operação para desmantelar uma rede que operava na estrutura do Estado.

Uma megaoperação da Polícia Judiciária desmantelou hoje uma rede que operava na estrutura do Estado para legalizar imigrantes a troco de subornos. Há pelo menos 20 detidos. São advogados, funcionários das Finanças, do Instituto de Segurança Social e uma inspetora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Em comunicado, a PJ adianta que dezenas de pessoas, entre as quais funcionários da Autoridade Tributária, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e do Instituto da Segurança Social, foram hoje detidos na operação para desmantelar uma alegada rede criminosa de auxílio à imigração ilegal. A PJ refere ainda que no decurso da operação Rota do Cabo realizou dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias e deteve dezenas de pessoas suspeitas de integrarem esta estrutura criminosa.


A estrutura criminosa, segundo a PJ, era "constituída por indivíduos com vastos antecedentes criminais e com ligações a redes internacionais que determinam e controlam os fluxos migratórios irregulares com origem em diversos países da Ásia Meridional e África".


Os detidos, com idades compreendidas entre os 28 e os 64 anos, são suspeitos da prática dos crimes de associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, de casamento por conveniência, de falsificação de documentos, de abuso de poder, de corrupção ativa e passiva, de branqueamento, de falsidade informática e acesso indevido, atividade criminosa que permitiu obter elevados proventos financeiros.

Uma inspetora do SEF detida hoje pela PJ, já tinha sido detida em maio do ano passado pelo próprio Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, depois de ter sido apanhada em flagrante a receber dinheiro para facilitar visto a estrangeiros.

A funcionária do SEF esteve suspensa, mas voltou ao trabalho e foi colocada num gabinete sem acesso a qualquer processo.

Dois funcionários da Segurança Social visados em operação contra imigração ilegal

A Segurança Social informou que a operação policial em curso na Grande Lisboa para desmantelamento de uma rede criminosa de legalização de imigrantes visou "dois funcionários" da instituição, mas reafirma a "credibilidade em todos os seus trabalhadores".

Em comunicado enviado às redações, o Instituto da Segurança Social esclarece que "tem vindo a prestar toda a colaboração à Polícia Judiciária, mantendo uma articulação permanente com as autoridades policiais, visando o desmantelamento de uma associação criminosa dedicada à legalização de imigrantes".

"Esta colaboração enquadra-se no esforço que, que nos últimos anos, o Instituto da Segurança Social, IP tem vindo a desenvolver de mecanismos de prevenção contra os riscos de corrupção e de controlo das atividades exercidas, permitindo acautelar eventos geradores de risco e denunciar situações passíveis de consubstanciarem práticas corruptivas ou outras condutas ilícitas", refere o documento.

Detidos interrogados amanhã no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa

A operação foi realizada pela PJ, através da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT), no âmbito de inquérito titulado pela 4.ª Secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.


Durante a operação foi dado cumprimento de mandados de busca e apreensão e mandados de detenção com o objetivo de "desmantelamento de uma organização criminosa responsável pela introdução ilegal em Portugal e na Europa, de milhares de imigrantes".


Os detidos serão presentes esta quarta-feira ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para um primeiro interrogatório judicial.

Com Lusa

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