País

Ministério pede esclarecimento à Ordem sobre obstetra que não detetou bebé sem parte do rosto

Victor Ruiz Garcia

O bebé nasceu sem olhos, nariz e parte do crânio, depois de a mãe ter realizado ecografias.

O Ministério da Saúde vai pedir à Ordem dos Médicos esclarecimentos sobre os processos que envolvem o médico obstetra que não detetou malformações graves num bebé que nasceu este mês em Setúbal.

Em resposta a questões da agência Lusa, fonte oficial do gabinete da ministra Marta Temido indicou que o Ministério "tem estado a acompanhar o caso junto do conselho de Administração do Hospital de Setúbal, aguardando resultado das diligências em curso, nomeadamente do processo de averiguações instaurado pelo hospital relativamente às circunstâncias do parto".

O Ministério adianta também que "vai ainda solicitar à Ordem dos Médicos esclarecimentos sobre os processos que envolvem este médico".

O bastonário dos Médicos disse na quinta-feira que pediu esclarecimentos e uma ação rápida ao Conselho Disciplinar do Sul da Ordem sobre o clínico envolvido no caso do bebé que nasceu com malformações graves, sem nariz, olhos e sem parte do crânio.

Numa nota enviada à comunicação social, o bastonário Miguel Guimarães recordou que não pode interferir na atividade do Conselho Disciplinar, que tem autonomia estatutária, mas ainda assim pediu "um esclarecimento cabal" ao presidente daquele organismo "dada a gravidade dos factos relatados".

Miguel Guimarães apelou também ao Conselho Disciplinar do Sul para uma "ação rápida, eficaz e justa nos casos analisados (...) que dignifique a profissão médica e proteja os doentes".

A Ordem dos Médicos tinha revelado na quinta-feira de manhã à Lusa que o obstetra envolvido neste caso tem quatro processos em instrução no Conselho Disciplinar do Sul da Ordem.

O Ministério Público abriu entretanto um inquérito ao caso do bebé que nasceu em Setúbal com malformações graves que não terão sido detetadas durante a gravidez. O caso foi noticiado na quinta-feira pelo jornal Correio da Manhã.

O bebé em causa nasceu dia 07 de outubro no Hospital de São Bernardo sem olhos, nariz e parte do crânio, depois de a mãe ter realizado ecografias com um obstetra numa clínica privada em Setúbal com o médico Artur Carvalho.

De acordo com o Correio da Manhã, os pais do bebé fizeram três ecografias com o médico em causa, sem que lhes tivesse sido reportada qualquer malformação.

Só num exame feito noutra clínica, uma ecografia 5D, os pais foram avisados para a possibilidade de haver malformações.

Questionaram o médico que os seguia, que lhes garantiu que estava tudo bem, conta o jornal, citando a madrinha do bebé.As complicações só foram detetadas depois do parto e os pais apresentaram queixa ao Ministério Publico contra o médico.

Entretanto, o Correio da Manhã relata que o Hospital de São Bernardo abriu um inquérito para averiguar este caso.

O mesmo médico já esteve envolvido em 2011 num processo idêntico, em que nasceu um bebé com malformações graves.

Na altura, o Ministério Público decidiu investigar, mas o caso acabou arquivado.

Lusa

  • A Justiça do Castigo
    26:54
  • Os 50 anos de carreira de José Mário Branco
    4:56