País

Livre repudia ataque de "índole racista" do CDS e Chega contra Joacine

MIGUEL A. LOPES

"Perpetua estigmas racistas e sexistas na sociedade portuguesa".

O Livre repudiou esta terça-feira as declarações dos líderes do Chega e do CDS-PP sobre a sua deputada, alegando que recorreram a "ataques de caráter" e de "índole racista", sustentando que as divergências políticas não podem resultar em "manifestações discriminatórias".

Hoje, à saída de uma audiência com o Presidente da República, o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos comentava a relação entre a direção do partido e o grupo parlamentar centrista, tendo manifestado uma "confiança inabalável em todos os deputados no CDS".

"No CDS não existem Joacines, existe um grupo de pessoas que partilham dos mesmos valores, estão sintonizados na mensagem que querem passar para o país", assinalou, referindo-se à crise interna entre a deputada Joacine Katar Moreira e os órgãos do partido.

Já o líder e deputado do Chega, André Ventura, escreveu uma mensagem na sua página da rede social 'facebook', na qual propôs que "a própria deputada Joacine seja devolvida ao seu país de origem".

"Seria muito mais tranquilo para todos... inclusivamente para o seu partido! Mas sobretudo para Portugal", acrescentou, numa alusão à proposta do Livre para que o património das ex-colónias, presente em museus de Portugal, possa ser devolvido aos países de origem.

Perante estas declarações, o Grupo de Contacto do Livre refere que "não pode deixar de repudiar veementemente esses ataques e o uso de uma linguagem depreciativa e difamatória, que perpetua estigmas racistas e sexistas na sociedade portuguesa".

Em comunicado enviado às redações, o partido fala em "contínuos ataques de caráter e referências de índole racista por parte de deputados e dirigentes partidários da direita".

"As divergências políticas não podem dar lugar nunca a manifestações discriminatórias, ainda mais por representantes eleitos para a Assembleia da República e por responsáveis políticos e partidários, num Estado de direito democrático assente no pluralismo de expressão, no respeito e garantia de liberdades fundamentais", assinala a direção do partido.

O Livre destaca igualmente que "está e estará sempre na linha da frente no combate a todas as discriminações, e repudia as declarações sexistas e deselegantes de Francisco Rodrigues dos Santos e as palavras deploráveis e racistas de André Ventura, deputado da extrema-direita portuguesa".