País

Burla com venda de sapatilhas de marca em tribunal

Samuel Vaz Filipe

Samuel Vaz Filipe

Repórter e Editor de Imagem

Arguidos montaram esquema nas redes sociais com sapatilhas de marca a preços mais baixos, mas depois quem encomendava recebia réplicas ou produtos distintos dos encomendados.

Começou esta semana em Leiria um julgamento que senta no banco das réus dezenas de arguidos acusados, entre outros crimes, de burla qualificada.

Em causa está um esquema de venda de sapatilhas a preços reduzidos com os clientes a receberem produtos contrafeitos ou mesmo diferentes do encomendado.

Ao todo, 48 arguidos marcaram presença, 12 deles estão detidos preventivamente, e três têm obrigatoriedade de permanência na habitação com pulseira eletrónica. Nove faltaram e outros 22 viram o seu processo ser separado e, por isso, serão julgados à parte.

Só estes números seriam já suficientes para causar dificuldades no decorrer das sessões, mas se somarmos os advogados, quase um por arguido, percebe-se que o julgamento tenha começado com duas horas de atraso e até ao final da manhã só se tenham sido identificados os arguidos. Com o coletivo de juízes a indeferir um requerimento de um advogado, mas que foi seguido pelos restantes quanto às condições da sala.

A sala teve intervenção prévia tendo sido feito à medida mobiliário para acomodar os advogados e arguidos, por isso o tribunal entendeu estarem reunidas as condições mínimas.

De manhã duas das arguidas disseram que aceitariam falar sobre os factos, mas mudaram de opinião à tarde. O espaço poderá afinal ser suficiente porque depois da interrupção para almoço muitos arguidos solicitaram para não estarem presentes em todas as sessões quer por razões profissionais quer de saúde.

A acusação fala de um esquema montado nas redes sociais de venda de sapatilhas de marca a baixo preço justificado por ser calçado importado ou de coleções antigas. Quem encomendava recebia réplicas contrafeitas dos produtos. Quando o volume de encomendas aumentou para as 500 por dia os arguidos enviavam chinelos ou outros produtos embalados em caixas das sapatilhas.

Segundo a acusação as vítimas terão sido lesadas num valor patrimonial a rondar os 3 milhões de euros.

Além da burla qualificada a acusação contempla ainda os crimes de branqueamento de capitais, falsificação de documentos, associação criminosa, corrupção ativa e passiva. Entre os arguidos há dois funcionários dos CTT que facilitariam a abertura e movimentação dos apartados postais a outros arguidos.

Estão marcadas sessões quatro dias por semana até maio, com cerca de 1000 testemunhas para ser ouvidas.

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