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Militares portugueses na República Centro-Africana condecorados

Baz Ratner

A atribuição das medalhas aos 180 capacetes azuis da Força de Reação Rápida portuguesa decorreu numa cerimónia organizada pela ONU.

Os membros da 6.ª Força Nacional Destacada na República Centro-Africana (RCA) foram esta quinta-feira condecorados, numa cerimónia realizada na capital, Bangui, num momento em que o destacamento desta unidade está a terminar naquele país.

A atribuição das medalhas aos 180 capacetes azuis da Força de Reação Rápida portuguesa ao serviço da missão das Nações Unidas na RCA (Minusca) decorreu numa cerimónia organizada pela ONU, em M'poko, Bangui.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira no seu portal, a Minusca refere que a cerimónia contou com a presença de elementos em representação especial do secretário-geral da ONU junto da Minusca, do comandante da força militar da Minusca, o português Eduardo Mendes Ferrão, assim como de representantes da União Europeia e do Governo centro-africano.

Os 180 militares hoje condecorados chegaram à RCA em setembro de 2019 e, desde então, "estiveram encarregues de proteger civis, recolher informações, responder às crises envolventes, conduzir patrulhas de longo alcance e de operações de controlo de áreas e vigilância", refere a Minusca.

Durante os seis meses de operação, a 6.ª Força Nacional Destacada (FND) - que será substituída pela 7.ª FND em março - interveio em cenários terrestres e aéreos em vários locais, tendo participado em operações e escoltado altas autoridades.

Para o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas na RCA, Mankeur Ndiaye, a homenagem "reconhece a contribuição de Portugal para a busca da paz" no país.

Citado pelo comunicado, o comandante do contingente, o tenente-coronel Victor Sérgio Antunes, disse estar orgulhoso por vários grupos armados terem "entrado em negociações com o Governo da RCA para resolver pacificamente" os seus diferendos.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O Governo centro-africano controla um quinto do território, sendo o resto dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, em fevereiro de 2019 por Governo e por 14 grupos armados, e um mês mais tarde as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Minusca, com a 6.ª FND e militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana, cujo 2.º comandante é o coronel António Grilo.

A 6.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares, na sua maioria paraquedistas, pertencendo 177 ao Exército e três à Força Aérea.

Na RCA estão também 14 elementos da Polícia de Segurança Pública.