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Marcelo tinha ideia "mais simbólica" e "restritiva" do 1.º de Maio

Marcelo tinha ideia "mais simbólica" e "restritiva" do 1.º de Maio

Ana Geraldes

Ana Geraldes

Jornalista

CGTP insiste que cumpriu as regras e o que previu o estado de emergência.

No primeiro dia útil sem estado de emergência em vigor em Portugal, o Presidente da República saiu ao Chiado, a uma livraria, para dar um sinal de que "sem medo", "passo a passo", os portugueses podem voltar ao ir desconfinando. Mas se era para falar de "sinais", então o exemplo das comemorações do 1º de Maio ainda está bem presente.

A imagem da Alameda D. Afonso Henriques em Lisboa com cerca de mil participantes não era aquela que Marcelo tinha idealizado quando previu, no decreto do estado de emergência que terminou no sábado, a possibilidade de celebração do Dia do Trabalhador.

O Presidente da República reconhece agora que tinha uma "ideia mais simbólica" mas considera que a responsabilidade de ser mais ou menos restritivo era "das autoridades sanitárias".

Na conferência de imprensa da Direção-Geral da Saúde, veio a resposta do Governo. António Lacerda Sales, Secretário de Estado da Saúde, começou por dizer que "não me cabe a mim comentar declarações do Presidente da República", mas esclarece que "às autoridades de saúde cabe a definição de regras sanitárias de acordo com aquilo que é de facto a melhor evidência em cada momento". A realidade muda, diz Lacerda Sales. E a de hoje não é a de ontem. "De cada vez que pestanejamos, a nossa realidade muda".

Para a CGTP, a questão também não se coloca agora, porque o que a central sindical sempre disse que não faria era o desfile e por isso até vai mais longe dizendo que "foram poucos participantes", apenas representativos do universo de trabalhadores em Portugal, porque se fosse nas manifestações teria "muitos milhares". A CGTP reuniu-se com o Governo e falou com o Presidente da República sobre as comemorações.

Marcelo confirma, mas reafirma que tinha a ideia que seria mais simbólico. Na SIC, Isabel Camarinha diz que o mais importante é que foram cumpridas as regras e o que estava previsto no estado de emergência. Mesmo o transporte de sindicalistas entre concelhos, estava prevista. E "existe sempre para dirigentes sindicais. Existiu agora como existiu no fim-de-semana da Páscoa", segundo a secretária-geral da CGTP.

Sem estado de emergência, Marcelo acredita que os portugueses conhecem a "linha" que é preciso seguir para que em maio não haja passos precipitados. Passo a passo, o Presidente acredita que não vai ser preciso dar nenhum passo atrás. Sobre o exemplo do 13 de maio, em Fátima, registou como a Igreja podia ter cedido "à tentação" de ter mais gente nas celebrações, mas "com aquela sabedoria tradicional, anda nisto há muito tempo, achou de facto que não devia correr esses riscos", disse.

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