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Jorge Sampaio recorda António Franco como "notável servidor do Estado"

António Franco.

LUSA

António Franco morreu na noite de quarta-feira.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio manifestou hoje "profundo pesar e desolação" pela morte do embaixador António Franco, recordando-o como um "notável servidor do Estado" e "um hino à vida íntegra e completa".

Num depoimento enviado à agência Lusa, em que assume escrever com as palavras "toldadas pela emoção, pela certeza do irreparável e (...) pela saudade", Jorge Sampaio recorda "um amigo certo, inteiro e leal, senhor de uma forte, independente e distintíssima personalidade à prova de bala, companheiro de muitas lutas e combates de uma vida".

"O António Franco foi um notável servidor do Estado, patente nos vários postos que ocupou ao longo da sua careira como diplomata, e foi um colaborador próximo do mais alto gabarito e de total confiança quando assumiu a chefia da Casa Civil, durante o meu primeiro mandato como Presidente da República", escreve.

Jorge Sampaio destaca ainda a "inteligência viva", o "espírito analítico" e a "enorme perspicácia humana" de António Franco, dizendo que "dissecava como ninguém comportamentos, atitudes e gestos, intenções manifestas ou disfarçadas", tendo um "talento raro e subtil para lidar com situações delicadas ou melindrosas, para pacificar relações e debelar conflitos".

"Dotado de um sentido de humor irresistível, era também de uma lucidez implacável que nem a si próprio nem aos seus poupava, sabendo sempre separar águas, distinguir o que eram as suas convicções íntimas e pessoais do juízo que formulava sobre as coisas, ditado pelo rigor, a exigência de objetividade e da verdade ou pelo imperativo da justiça", considera ainda Sampaio.

O antigo Presidente da República sublinha igualmente que António Franco "foi um diplomata de primeiríssima água".

"Era um homem de princípios fortes, fiel aos seus ideais e um acérrimo defensor da liberdade que a cada um assiste de traçar a sua vida e de a saborear por inteiro", afirma Jorge Sampaio, concluindo: "António Franco foi, é e será sempre o amigo de amizade verdadeira, generosa, livre e totalmente certa".

O embaixador António Franco morreu na quarta-feira, aos 76 anos. Casado com a antiga eurodeputada e dirigente socialista Ana Gomes, foi embaixador de Portugal no Brasil, cargo que desempenhou entre 2001 e 2004 e onde terminou a carreira diplomática, depois de ter ocupado outros postos, como o de adjunto do chefe da missão temporária de Portugal no processo de paz em Angola e o de representante junto à Comissão Político-Militar.

Foi ainda embaixador não-residente em Libreville, capital do Gabão, em 1995 e, em 1996, foi designado para o cargo de chefe da Casa Civil do Presidente da República Jorge Sampaio.