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Autor de disparos em discoteca de Coimbra condenado a sete anos e seis meses de prisão

Arguido estava acusado de três crimes de homicídio na forma tentada contra os três seguranças do estabelecimento.

Um jovem de 23 anos que disparou junto da discoteca NB, em Coimbra, em 2019, foi esta segunda-feira condenado a sete anos e seis meses de prisão, por homicídio qualificado na forma tentada e coação.

O arguido estava acusado de três crimes de homicídio na forma tentada contra os três seguranças do estabelecimento, por ter disparado à frente da discoteca NB, após lhe ter sido barrada a entrada pelos funcionários.

O coletivo de juízes presidido por Miguel Veiga acabou por condenar o jovem por um crime de homicídio qualificado na forma tentada, dois crimes de coação na forma tentada e um crime de detenção de arma proibida.

"O senhor tem que perceber que está a colher o que andou a semear. Teve todas as oportunidades e mais algumas", vincou o juiz, dirigindo-se ao arguido, recordando que, aquando dos factos, o jovem estava com duas penas suspensas a decorrer e tinha sido condenado recentemente a prisão domiciliária, estando a dias de a medida ser aplicada.

Para o juiz Miguel Veiga, o arguido estava "no meio de um castelo de cartas que podia cair", considerando o seu comportamento "inadmissível" e "indesculpável".

"O seu percurso nos últimos dois anos é inadmissível. Até se pode pensar se não seria justo uma pena superior. O senhor tem que se consciencializar que está a colher tudo o que semeou", reiterou.

O coletivo do Tribunal de Coimbra não deu qualquer credibilidade às declarações do arguido, referindo que, pelos videogramas das imagens de segurança, é possível constatar que a porta da discoteca ainda estava entreaberta quando efetuou um disparo nessa direção (o arguido tinha dito que só disparou porque sabia que a porta estava fechada).

O arguido também tinha referido que o disparo que deu para o ar (antes de disparar na direção da porta) tinha sido para afastar as pessoas.

"Quando diz que faz um disparo para o ar para as pessoas terem medo e para depois dar tiros à vontade na porta não lembra a ninguém", vincou o juiz.

O juiz Miguel Veiga realçou que o Tribunal fez "um esforço" para compreender o contexto, mas não viu nada que permitisse uma explicação para o que aconteceu.

"Foi um ato isolado? Passou-se da cabeça? Nunca teve problemas? Tem registo criminal há vários anos, havia penas suspensas e uma pena de prisão domiciliária. Pior que isto eu não estou a ver", vincou.

O jovem está preso preventivamente.