País

Dois mortos em acidente com alfa pendular na zona de Soure

PAULO CUNHA

Comboio colidiu com uma máquina de trabalhos ferroviários da Infraestruturas de Portugal que estava em circulação.

Um comboio Alfa Pendular com 212 passageiros descarrilou ao colidir com uma máquina de trabalhos ferroviários da Infraestruturas de Portugal que estava em circulação na zona de Soure, no distrito de Coimbra. De acordo com fonte do Comando Distrital de Operações (CDOS) de Coimbra, estão confirmados dois mortos, 43 feridos, sete em estado grave, um deles o maquinista, que inspira mais cuidadeos. As duas vítimas mortais são trabalhadores da máquina de trabalhos ferroviários da cantenária da REFER.

Os passageiros sem ferimentos foram encaminhados para o Pavilhão Gimnodesportivo de Soure, onde foram alvo de triagem por parte do INEM, retomando a sua viagem em Alfarelos, assim que tiverem alta. No local estão também equipas de apoio psicológico

O Alfa Pendular seguia no sentido Sul-Norte, tendo saído de Santa Apolónia às 14:00 e tinha como destino final Braga.

O repórter da SIC, Miguel Ângelo Marques, está no local do acidente e fez o ponto da situação, com base nas informações disponíveis pouco tempo depois do descarrilamento.

O comboio terá embatido num veículo de reparação que se encontrava na linha, na zona de Casalinhos, concelho de Soure.

"Senti um grande embate e o comboio estava descarrilado"

O colaborador do Expresso André Rito é um dos passageiros que estava no Alfa Pendular e descreveu à SIC Notícias o que sentiu no momento do acidente.

O ponto da situação no local do acidente foi feito pelo presidente da Câmara Municipal de Soure, Mário Jorge Nunes, que confirmou a existência de vítimas mortais.

Em declarações à SIC Notícias, o autarca adiantou ainda que os dois mortos "não são passageiros do Alfa" e que os passageiros que não estão feridos foram encaminhados para o pavilhão municipal, onde terão apoio psicológico e médico.

Mário Nunes confirmou ainda que "o Alfa Pendular embateu numa máquina que estava a operar na linha".

Presidente lamenta "grave acidente" e planeia visitar vítimas

O Presidente da República manifestou o pesar a todos os familiares das vítimas mortais do descarrilamento do comboio. Aos familiares e aos próprios feridos graves deixou uma palavra de solidariedade.

Em direto na SIC Notícias, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a atuação "muito rápida" do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que já se encontra no local, bem como do presidente da autarquia de Soure, que disponibilizou um espaço para acolher os passageiros do comboio.

O Presidente já tinha lamentado numa nota divulgada no site da Presidência "o grave acidente ferroviário na Linha do Norte, de cujos detalhes foi informado pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos".

Aberta investigação para apurar as causas do acidente

Pedro Nuno Santos lamentou as mortes resultantes do descarrilamento.

O ministro das Infrastruturas informou também que já foi aberta uma investigação para apurar as causas do acidente. O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) vai investigar o descarrilamento do Alfa Pendular.

A equipa de investigação já está a caminho do local para dar início às investigações e apurar as circunstâncias em que se deu o acidente.

De acordo com a agência Lusa, a Infraestruturas de Portugal (IP) referiu que os "danos serão avultados", mas estão dependentes do inquérito do GPIAAF.


"Isto é um tipo de acidente que não é suposto acontecer"


Manuel Tão, especialista em transportes ferroviários, explica que existe um sistema, o convel (sistema de controlo automático de velocidade), que quando está em funcionamento não é suposto colidirem dois veículos.

"Aparentemente há aqui falha do sistema de proteção aos sinais."

"Não é muito claro o que poderá ter falhado"

João Cunha, especialista em ferrovia, diz que, pelas imagens, não é claro o que poderá ter falhado. Em direto na SIC Notícias, explicou as características do alfa pendular, o tipo de formação que os maquinistas recebem e como a linha do Norte está capacitada para a circulação deste tipo de comboio.

O "estoiro enorme", as "carruagens trancadas" e a rapidez da CM de Soure "em fazer aparecer águas em 20 minutos"

Imagens de drone do local do acidente

Costa lamenta "trágico acidente" e acompanha situação

O primeiro-ministro, António Costa, apresentou hoje "as mais sentidas condolências às famílias e amigos" das vítimas do "trágico acidente" que envolveu um comboio Alfa Pendular, e disse estar a acompanhar a evolução da situação "em permanência".

"Apresento as mais sentidas condolências às famílias e amigos dos funcionários da IP vítimas do trágico acidente ferroviário que ocorreu hoje na linha do Norte, em Soure", distrito de Coimbra, escreveu o primeiro-ministro na sua conta oficial na rede social 'Twitter'.

António Costa informou que está "a acompanhar em permanência o evoluir da situação" e indicou que, "tal como foi anunciado pelo Ministro das Infraestruturas e Habitação, já foi aberto um inquérito para o apuramento rápido das causas e responsabilidades deste grave acidente", que lamenta "profundamente".

"Desejo também rápidas melhoras aos feridos e dirijo uma palavra de solidariedade para todos aqueles que trabalham nos equipamentos e infraestruturas ferroviárias e que prestam um serviço inestimável aos portugueses", acrescenta a nota do primeiro-ministro.

Sindicato dos Maquinistas pede sistema redundante de segurança

O presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ), António Domingos, defendeu a existência de um sistema redundante de segurança nas vias férreas.

António Domingos explica que o Alfa Pendular tem um sistema de controlo automático de velocidade, que supervisiona o cumprimento da sinalização e, caso as normas não sejam cumpridas, aciona o sistema de travagem automático, o que não acontece com as máquinas de manutenção que circulam na via.

"A Dresine não tem esse equipamento que supervisiona a condução da tripulação. Se essa máquina de manutenção da via tivesse esse equipamento embarcado, provavelmente o acidente não se daria, isto numa primeira abordagem, sem conhecer pormenores", disse António Domingos, em declarações à agência Lusa.

O presidente do SMAQ considera a ferrovia "um sistema seguro" e, embora realce que "o risco zero não existe", entende que as condições podem ser melhoradas.

"É uma falha estas máquinas de manutenção não terem este sistema de supervisão, que é um sistema redundante de segurança, que permite suprimir falhas da tripulação. Evita ultrapassagens do sinal, que não sei se foi o caso", acrescenta o presidente da estrutura sindical.

Tendo em conta os mecanismos de supervisão, António Domingos entende que, "à partida", o Alfa Pendular circulava à velocidade permitida.

O presidente do SMAQ informou que o sistema, preparado para transmitir informações "a cada momento", não deteta obstáculos na via, como é o caso da máquina de manutenção de catenárias, que estava "num local onde não devia estar".

No caso de o maquinista se aperceber, não seria possível travar a tempo.