País

Mais de 1.500 operacionais combatem cinco maiores fogos

(Arquivo)

MIGUEL A. LOPES / LUSA

País encontra-se em situação de alerta.

Mais de 1.100 operacionais e 16 meios aéreos estão a combater hoje à tarde os cinco maiores incêndios rurais em território continental, concentrados sobretudo na região Centro, de acordo com dados da Proteção Civil.

Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, pelas 19:00 estavam no terreno 1.115 operacionais das forças de socorro e segurança, 334 meios terrestres e um total de 16 meios aéreos a combater os cinco maiores incêndios.

Porto de Mós

O incêndio que deflagrou na madrugada de hoje em Marinha da Mendiga, Porto de Mós, no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, entrou em fase de resolução, disse fonte da Proteção Civil.

"O fogo entrou em fase de resolução às 20:40", afirmou à agência Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Leiria (CDOS).

Às 00:41, estavam no local 178 operacionais apoiados por 56 viaturas, de acordo com a página na internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

A mesma fonte explicou que "as operações de rescaldo e consolidação vão ser longas, porque o incêndio atingiu uma vasta área".

O alerta para o fogo naquela localidade da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga foi dado às 02:45 e provocou ferimentos em três pessoas.

Segundo o CDOS, há a registar três feridos, um sapador florestal, um bombeiro e um militar da GNR. Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, acrescentou que arderam cerca de 500 hectares de mato.

Duas pessoas ficaram com ferimentos ligeiros quando combatiam as chamas que lavram em Marinha da Mendiga, no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

Sabugal

Os quase 300 operacionais que combatem as chamas que deflagraram hoje numa zona de mato em Santo Estêvão e Moita, no concelho do Sabugal, conseguiram dominar uma das três frentes que estavam ativas, disse fonte da Proteção Civil.

"O incêndio tem duas frentes ativas. Uma [terceira] já foi dominada", disse a mesma fonte à agência Lusa.Em declarações à Lusa pelas 22:40, o vice-presidente da Câmara do Sabugal, no distrito da Guarda, Vítor Proença, disse que se está a atravessar "uma fase mais calma", com o vento a abrandar e a temperatura do ar a baixar.

"O que nos preocupa são as habitações isoladas. Há no local muitas quintas isoladas, com acessos difíceis. O terreno é muito íngreme", explicou o autarca que também tem a pasta da Proteção Civil.

No entanto, por as condições estarem a ser favoráveis, Vítor Proença disse ter esperança de que "dentro de algumas horas as coisas sejam resolvidas".

Segundo a página na internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), cerca das 00:40 estavam no local 284 operacionais, apoiados por 84 viaturas.

Sernancelhe

O incêndio que deflagrou às 12:02 de quinta-feira em Sernancelhe (Viseu) tinha pelas 00:00 de hoje quatro frentes ativas, uma das quais se dirigia descontrolada para o município vizinho de Aguiar da Beira, disse à Lusa o presidente da câmara.

"O fogo está a decorrer com muita intensidade. Há uma frente que caminha de forma descontrolada para o município vizinho de Aguiar da Beira", afirmou Carlos Silva Santiago à agência Lusa.

O autarca admitiu ainda que uma outra frente, que estava junto às localidades de Penso e de Vila da Ponte, também eram "foco de preocupação" por causa de "algumas habitações".

Quanto às condições no terreno, Carlos Silva Santiago indicou que "não há muito vento, a temperatura baixou e há alguma humidade", o que poderá permitir "um melhor combate" ao fogo.

De acordo com a página na internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, às 00:30 estavam no local 386 operacionais, apoiados por 117 veículos.

Durante a tarde de quinta-feira, este incêndio obrigou ao corte da Estrada Nacional 226, que às 00:30 ainda continuava interdita ao trânsito, segundo fonte do Comando Geral da GNR.

Alijó

O incêndio que deflagrou na quinta-feira, em Alijó, distrito de Vila Real, "partiu-se em várias frentes" e estão a ser colocados meios em todos elas, disse hoje fonte da Proteção Civil.

O alerta foi dado pelas 12:00 de quinta-feira e o fogo teve início perto da zona industrial de Alijó.

Segundo a página na internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, pelas 00:41 estavam mobilizados para este fogo 223 operacionais e 71 viaturas.

O comandante operacional distrital de Via Real, Álvaro Ribeiro, apontou que os meios estão a ser colocados nestas várias frentes viradas para a zona de Carlão, mas frisou que a aldeia não está em perigo.

Durante a tarde o fogo esteve quase controlado, no entanto, segundo o responsável, numa altura em que os aviões tiveram de fazer um reabastecimento e as máquinas de rasto estavam no local, apareceu vento forte que deu mais intensidade às chamas e o trabalho que estava a ser feito "perdeu-se".

No início do fogo, um trabalhador de uma empresa que estava a prestar serviços à rede elétrica sofreu ferimentos, foi assistido pelo INEM e transportado para o hospital de Vila Real.

Entretanto, o município de Alijó informou a população que a falta de água que se verificou em várias localidades do concelho se deveu ao corte de eletricidade provocado pelo incêndio".

O distrito de Vila Real está em estado de alerta especial de nível vermelho.

Fundão

O incêndio que lavra desde a tarde de hoje em Bogas de Baixo, no Fundão, tem duas frentes ativas, disse o comandante distrital de operações de socorro, esperançado que a noite traga "uma janela de oportunidade" para o dominar.

"O incêndio tem duas frentes ativas, uma mais intensa virada a Orvalho e Maxial da Ladeira, outra com pouca intensidade, virada a Janeiro de Cima e Janeiro de Baixo", afirmou Francisco Peraboa, adiantando, pelas 00:42, que estavam no local 127 veículos a apoiar 408 operacionais.

Francisco Peraboa adiantou que está preocupado com "as condições meteorológicas, a temperatura, o vento e a humidade relativa do ar, que não são favoráveis".

"Mas vamos conjugar todos os esforços para durante a noite dominar o incêndio. Será a nossa janela de oportunidade, porque as temperaturas estão mais baixas e o vento prevê-se que abrande", declarou à Lusa.

O fogo, que está a lavrar desde as 13:58 em povoamento florestal, obrigou à evacuação da praia fluvial de Janeiro de Baixo, que "na ocasião tinha cerca de 70 pessoas", uma medida preventiva, explicou o comandante distrital de operações de socorro de Castelo Branco.

Neste incêndio, uma operacional dos Bombeiros Voluntários do Fundão sofreu ferimentos ligeiros.

A repórter da SIC, Patrícia Figueiredo, faz o ponto da situação no local.

Mapa dos Incêndios Rurais

Algarve e interior Norte e Centro com risco máximo de incêndio

Toda a região interior do Norte e Centro e alguns concelhos do Algarve estão esta quinta-feira em risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, num dia em que Portugal continental está novamente em situação de alerta. No interior, as temperaturas podem chegar aos 43 graus.

Risco máximo em mais de uma centena de concelhos nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Guarda, Castelo Branco, Viseu, Coimbra, Leiria, Santarém e Portalegre.

Em risco muito elevado estão mais de 50 concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro, Leiria, Santarém, Portalegre, Beja e Faro, enquanto em risco elevado vai estar toda a região do Alentejo, o distrito de Setúbal e cerca de 30 concelhos nos distritos de Faro, Lisboa, Santarém, Leiria, Coimbra, Aveiro e Porto.

Governo declara situação de alerta durante dois dias

Até ao final do dia de amanhã, Portugal Continental está em situação de alerta por causa do risco elevado de incêndio.

Em situação de alerta é proibida a realização de queimadas e o uso de fogo de artifício ou de outros artefactos pirotécnicos, e é proibido o acesso, circulação e permanência em espaços florestais “previamente definidos nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios”.

Também não são permitidos trabalhos florestais e rurais com equipamentos elétricos em espaços, como motorroçadoras, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâminas ou pá frontal.

Serra de Sintra encerrada

O perímetro florestal da serra de Sintra vai estar encerrado entre as 00:00 de quinta-feira e as 23:59 de sexta-feira.

O município realçou que é "fundamental acautelar a proteção, manutenção e conservação" da serra de Sintra, uma "região de proteção classificada sensível ao risco de incêndio florestal" e "caracterizada por um elevado número de visitantes".

"Urge proteger quem vive e visita Sintra com a adoção de medidas adequadas no âmbito da proteção civil", acrescenta a nota.