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Fogo no Gerês. Nevoeiro e fumo impedem uso de meios aéreos

BRAIS LORENZO/ EPA

Interior Norte e Centro e alguns concelhos algarvios estão em risco máximo de incêndio.

Continua por controlar o incêndio em Ponte da Barca, no Parque Nacional Peneda-Gerês. A frente de fogo estende-se até Espanha. A Proteção Civil diz os trabalhos decorrem de forma favorável mas os difíceis acessos são a principal dificuldade.

Mais de uma centena de operacionais combatem hoje o incêndio que desde sábado lavra no Parque Nacional Peneda-Gerês, numa zona de difícil acesso e onde o nevoeiro e o fumo do fogo estão a impedir o uso de meios aéreos.


Num ponto de situação feito à agência Lusa pelas 08:20, o comandante Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse que a situação deste incêndio no Lindoso permanece "inalterada relativamente à noite de domingo" e que o fogo "continua a lavrar com muito fraca intensidade em zona de escarpas e fragas".

"Estamos a falar de uma linha com pequenos focos de incêndio, em zonas inacessíveis e, como não sabemos o comportamento que esses pequenos focos podem provocar, não temos o incêndio dominado", disse o responsável, adiantando que no terreno estão "mais de 100 homens, apoiados por mais de 30 viaturas".

Paulo Santos explicou que as viaturas "não conseguem aceder aos locais do incêndio", que terá de ser extinto "por meios terrestres, com equipas apeadas, como as que ainda durante dia de ontem [domingo] foram largadas no terreno com recurso a helicópteros, que os colocaram o mais próximo possível" do fogo.


"São locais quase inacessíveis, [que estão] a entre 800 a 1.000 metros de altitude", acrescentou.

O responsável adiantou também que "grande parte litoral do território está sob nevoeiros matinais" e que estas neblinas, aliadas ao fumo do próprio incêndio que se acumula nos vales, tem impedido o uso de meios aéreos esta manhã.


O fogo, em Lindoso, no concelho de Ponte da Barca, chegou a ser combatido por 10 meios aéreos durante a tarde de domingo. Pelas 08:40, segundo a página da ANEPC, mobilizava 108 operacionais, apoiados por 35 veículos.


O secretário de Estado da Conservação da Natureza revelou no domingo que o incêndio no Parque Nacional Peneda-Gerês já tinha consumido cerca de 200 hectares, mas que os principais esforços de proteção se centram na Mata do Cabril.


Do lado espanhol, dados da Junta da Galiza apontam para 400 hectares ardidos.

BRAIS LORENZO/ EPA

O incêndio começou no sábado. Nesse mesmo dia, morreu um piloto português e outro piloto espanhol ficou ferido quando o avião onde seguiam se despenhou. Marcelo Rebelo de Sousa já disse que vai estar presente no funeral do piloto.

O Canadair, ao serviço do centro de meios aéreos de Castelo Branco, despenhou-se às 11h19 de sábado. No momento da queda, o aparelho voava há três horas e acabara de fazer mais um reabastecimento.

Caiu em plena zona de montanha em declive até ao lago da barragem do Lindoso, um local onde só é possível chegar a pé.

INEM recusa atraso na chegada ao local do acidente

O primeiro helicóptero acionado pelo INEM, teve, por isso, de aterrar a 300 metros do local. Aterrou às 12h28. Quinze minutos depois, a equipa de socorro estava no local da queda, 1h13 depois de ser acionado.

Risco máximo de incêndio no Interior Norte e Centro e em alguns concelhos do Algarve

Cerca de 50 concelhos do interior Norte e Centro e da região do Algarve estão em risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que prevê para hoje uma descida da temperatura.

De acordo com o IPMA estão em risco máximo de incêndio cerca de 40 concelhos dos distritos de Bragança, Guarda, Viseu e Castelo Branco e cinco municípios do distrito de Faro.

Em risco máximo estão cerca de 60 concelhos também do interior Norte, Centro e em risco elevado mais de 80 outros municípios dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Viseu, Portalegre, Lisboa, Évora, Beja e Faro.

O risco de incêndio definido pelo IPMA é calculado a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas. Tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo.

Situação de alerta já não está em vigor

A situação de alerta em Portugal continental que tinha sido decertada pelo Governo e colocava em prontidão a resposta operacional das autoridades em todos os distritos, impondo uma série de proibições quanto ao uso do fogo, deixou de vigorar no final do dia de domingo.

O IPMA prevê para hoje uma pequena descida de temperatura no interior, vento por vezes forte na faixa costeira a sul do Cabo Raso e nas terras altas e nebulosidade matinal no litoral oeste e Alentejo, que poderá persistir na faixa costeira do litoral Centro.

As temperaturas máximas vão variar entre os 22º (Braga) e os 34º (Évora) e as mínimas entre os 14º (Beja e Évora) e os 20º (Faro).