País

Centenas manifestaram-se no Porto e em Lisboa contra o fascismo e o racismo

MANUEL FERNANDO ARAÚJO

"Fascismo nunca mais", gritaram os manifestantes.

Contra o fascismo, o racismo e pela liberdade e direitos cívicos, centenas de pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa num protesto que quem lá estava disse ser necessário pelo crescente à-vontade que a extrema-direita sente para cometer crimes.

Também no Porto, cerca de trezentas pessoas participaram numa concentração contra "tentativas de intimidação" a três deputadas e a sete ativistas antifascistas e antirracistas.

Lisboa

Por volta das 15:00, hora marcada para a concentração no Largo Camões, já muitos se juntavam em torno da estátua do poeta onde, num modelo de microfone aberto, quem quis 'subiu ao palco' para falar a quem ali se dirigiu.

Breves discursos intervalados por palmas da assistência e pelas palavras de ordem mais repetidas -- "Não passarão" -- foram-se sucedendo entre quem fez questão de marcar presença para condenar o mais recente episódio de racismo em Portugal, em investigação pelo Ministério Público, que pretende apurar os factos relativos ao email intimidatório enviado a três deputadas e representantes de organizações de combate ao fascismo e ao racismo por um grupo conotado com a extrema-direita, a Nova Ordem de Avis -Resistência Nacional, ao qual também se atribui a organização da concentração frente à sede da SOS Racismo.

Porto

Entre os manifestantes concentrados no Porto encontrava-se Luís Lisboa, coordenador do núcleo de Guimarães da Frente Unitária Antifascista (FUA), um dos primeiros ativistas a formalizar queixa-crime pelas ameaças e que disse encontrar-se já sob proteção policial.

"Temos de nos insurgir contra esta vil ameaça. isto não passa de terrorismo", afirmou aos jornalistas.Este tipo de ameaças, sublinhou, "só se pode combater com a decência, com a fraternidade, com a solidariedade e com o levantamento popular. Isto não é um ataque a dez pessoas, é um ataque a todo o país. E todo o país tem de combater, mais do que nunca, estas tentativas de retrocesso, de voltar ao passado".

Durante a concentração, que prosseguia pouco depois das 16:00 e que estava a ser acompanhada por um discreto dispositivo policial, mas sem quaisquer incidentes, ouviram-se palavras de ordem como "fascismo nunca mais".

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