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Saída de trabalhadores do Santuário de Fátima. "Quando há uma reforma antecipada não é despedimento"

PAULO CUNHA

Conferência episcopal explicou que Santuário de Fátima não vai despedir trabalhadores.

O Santuário de Fátima diz que não vai despedir trabalhadores. O padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal, explica que o que está a acontecer no Santuário de Fátima não se trata de despedimentos.

"Quando há uma reforma (...) isso não é um despedimento. Quando há uma reforma possivelmente antecipada, em que as pessoas recebem tudo aquilo a que tem direito, também não é despedimento."

A Conferência Episcopal explicou, esta terça-feira, que todos as saídas estão relacionadas com reformas, não renovações de contrato e por iniciativa dos funcionários.

O Santuário de Fátima queixa-se de uma campanha organizada de difamação para denegrir a instituição.

A porta-voz do Santuário, Carmo Rodeia, reforça que, ao contrário do que tem sido noticiado, não vai haver despedimentos.

O Santuário de Fátima, na última quinta-feira, já tinha dito que não convidou trabalhadores a deixar instituição. Acrescentando que "nenhuma das 24 demissões que ocorreram ao longo deste ano" correspondeu a extinção de postos de trabalho e que "nenhum trabalhador foi convidado" a deixar a instituição.

"Houve saídas de trabalhadores por motivos de reforma, por não renovações de contrato de trabalho a termo e um terço das mesmas por iniciativa do trabalhador", destacou o Santuário, em comunicado, referindo-se às 24 demissões que ocorreram ao longo do ano.

SANTUÁRIO RECETIVO A ACORDOS DE REVOGAÇÃO DE CONTRATO

A instituição religiosa esclarece que apesar de "nenhum trabalhador [ter sido] convidado a deixar a instituição", "foi feita uma apresentação das atuais dificuldades".

"Foi dito que, dada a redução de atividade, o Santuário está recetivo a propostas para a realização de acordos de revogação de contrato, garantindo que aqueles que estejam mais próximos da idade de reforma possam manter o seu atual rendimento até essa data", explica.

O comunicado divulgado no dia 2 de setembro garante que "serão feitos todos os esforços para encontrar soluções que não impliquem despedimentos".

O Santuário de Fátima sem peregrinos a 13 de maio foi uma situação inédita. Também na Páscoa, as portas ficaram fechadas por causa da pandemia de Covid-19. E isso refletiu-se nas contas da instituição.

Aos atuais 308 trabalhadores do Santuário de Fátima, foi comunicada necessidade de se reduzir custos, que se traduzem em empregos. Mas já desde maio que o número tem vindo a descer, nessa altura eram cerca de 350.

O Santuário justifica assim a decisão com a falta de peregrinos.

"Fátima precisa de ser reestruturada. O Santuário vive da esmola dos peregrinos"

O teólogo Henrique Pinto esteve no dia 2 de agosto na Edição da Noite da SIC Notícias para comentar a decisão anunciada pela Igreja.

Para Henrique Pinto, o que está a acontecer era previsível uma vez que, atualmente, o Santuário vive muito de quem o visita.

"O Santuário vive da esmola dos peregrinos. E isso não devia acontecer nunca", frisou o teólogo.

PERDAS SUPERIORES 77%

O Santuário realçou que "tal como a generalidade das instituições e empresas, também o Santuário de Fátima foi fortemente afetado pelas consequências económico-financeiras da pandemia".

A nota de dia 2 de setembro revela que "entre março e julho os grupos inscritos tiveram uma diminuição superior a 99%" e "as ofertas sofreram uma quebra superior a 77%".

"Não obstante as evidentes dificuldades de gestão, comuns a toda a sociedade, o Santuário assegurou os postos de trabalho dos seus trabalhadores, pagando integralmente os vencimentos de todos", aponta ainda.