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Operação Aquiles. Antigo PJ acusado de colaborar com narcotraficantes aceitou falar em julgamento

Ao fim de dois anos de julgamento e mais de 150 sessões, o ex-coordenador da Polícia Judiciária Carlos Dias Santos começou esta terça-feira a depor.

Um antigo coordenador da Polícia Judiciária acusado de colaborar com narcotraficantes, no âmbito da Operação Aquiles, começou esta terça-feira a depor.

Carlos Dias Santos tentou justificar a origem do dinheiro, que a investigação diz ser o pagamento por informações aos traficantes.

A Operação Aquiles

A Operação Aquiles conta com 27 arguidos, entre os quais dois inspetores-chefes da PJ, Carlos Dias Santos e Ricardo Macedo, que, segundo a acusação, teriam ligações ao mundo do tráfico de droga, fornecendo informações às organizações criminosas, que protegiam.

Segundo a acusação, entre outubro de 2006 e janeiro de 2007, elementos da Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da Polícia Judiciária (UPAT/PJ) transmitiram à sua hierarquia informações resultantes de vigilâncias e recolha de informações que "evidenciavam fortes suspeitas de ligações ao mundo do crime" do ex-coordenador da PJ Carlos Dias Santos.

Na altura, António Benvindo funcionou como agente encoberto da PJ e, numa reunião que manteve com um suspeito de nacionalidade paraguaia, ficou a saber que a organização criminosa que exportava cocaína para a empresa de Torres Vedras 'Terra Australis' "tinha um informador na PJ" que revelava as movimentações da polícia no combate ao narcotráfico.

Estas suspeitas apontavam para ligações do ex-coordenador da PJ com o arguido Jorge Manero de Lemos e a atividade de tráfico de droga desenvolvida por este último.

O Ministério Público entende que os inspetores da PJ Carlos Dias Santos e Ricardo Macedo, além de fornecerem informações às organizações criminosas que protegiam, através dos contactos com os pretensos informadores, por vezes recebiam informações das mesmas organizações sobre o tráfico desenvolvido por organizações concorrentes.

No decurso da investigação foram apreendidos mais de 900 quilos de cocaína e mais de 30 quilos de haxixe, bem como diversas viaturas e dinheiro, no montante de várias dezenas de milhares de euros.