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Covid-19. IPO do Porto disponibiliza camas para aliviar pressão nos hospitais

Os diretores do serviço alertam que é importante voltar a encaminhar doentes oncológicos para os serviços especializados.

Há milhares de doentes oncológicos que não estão a ser referenciados nos cuidados de saúde primários, o que faz com que haja menos doentes nos serviços do Instituto Português de Oncologia (IPO). O IPO do Porto está disponível para ceder os recursos que tem para ajudar a aliviar a pressão dos hospitais que estão na linha da frente do combate à Covid-19.

“Numa fase em que os nossos colegas, em outras instituições, estão assoberbados com a pressão de doentes com Covid-19 e se assim o entenderem e tiverem possibilidade de ajudar a referenciar doentes na fase inicial da sua doença oncológica para que nós possamos fazer essa avaliação e ajudarmos nessa área. É uma forma de nós, de alguma maneira, reduzirmos essa pressão”, explica Rui Henrique, presidente do IPO do Porto

Para além disso, e com o intuito de ajudar os hospitais que estão na linha da frente, o IPO do Porto coloca à disposição o serviço de cuidados intensivos, com 8 camas, que poderá ser utilizado por doentes não Covid-19.

No entanto, os diretores do serviço reforçam que é importante dar uma resposta aos doentes oncológicos em fases iniciais da doença. Joaquim Abreu Sousa, diretor do serviço de oncologia cirúrgica do IPO do Porto, considera que “não é aceitável” que os doentes com sintomas de doença oncológica não tenham “um médico a quem possa denunciar esse sintoma” porque os recursos foram todos desviados para tratar a pandemia.

“Há doenças potencialmente fatais com prognósticos bastante mais sombrio do que a Covid-19 que não estão a ser tratadas em tempo útil”, acrescenta o diretor.

O diretor acrescenta que nunca viu tantos doentes com tumores avançados. Com a Covid-19, de janeiro a setembro, houve menos 1.600 primeiras consultas para cirurgias dos cancros da mama e digestivo.

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