País

Descoberto imponente arco gótico no castelo de Vila do Touro, Sabugal

(Arquivo)

Câmara Municipal do Sabugal

Em escavações anteriores, descobriu-se que no interior do castelo existia outra ocupação mais antiga, da Idade do Ferro.

Escavações arqueológicas realizadas em Vila do Touro, no concelho do Sabugal, distrito da Guarda, colocaram a porta do castelo na sua cota primitiva e revelaram um "imponente" arco gótico, foi anunciado esta quinta-feira.

Segundo o arqueólogo da Câmara Municipal do Sabugal, Marcos Osório, os trabalhos em curso, motivados pela instalação de uma escadaria de acesso ao castelo, permitiram tornar a porta "mais imponente" e colocaram-na na cota primitiva.

"Ela, agora, ficou com a cota que tinha na origem, quando o castelo começou a ser construído", disse o arqueólogo municipal à agência Lusa.

Marcos Osório referiu que nos últimos 300 anos a porta foi entaipada e aterrada e, com o tempo, "ficou atarracada".

"E, agora, houve a oportunidade de voltarmos a por a sua cota primitiva. E isto tornou o arco ogival gótico muito mais imponente, magnífico, e fica muito mais interessante para o visitante deparar logo com este arco à entrada do castelo", relatou.

Em escavações anteriores, os arqueólogos descobriram que no interior do castelo, com ocupação medieval, no século XIII, existia outra ocupação mais antiga, da Idade do Ferro.

Também numa sondagem realizada numa zona muito rochosa, na parte mais elevada do monte, foi descoberta "uma estrutura de pedras, com buracos de negativo de postes", o que prova que ali existiu uma cabana ou um abrigo, e, no meio, junto com alguma cinza e carvão, foram encontradas sementes, que foram enviadas para João Tereso, da Universidade do Porto, um especialista no estudo de sementes antigas.

O achado permitiu "conhecer de que é que se alimentavam estas populações", revelando que comiam cereais, por terem sido encontradas sementes de trigo, milho painço, cevada, favas e ervilhas, segundo o arqueólogo.

"No entanto, a grande surpresa é terem aparecido duas grainhas de uva, o que traz uma série de interpretações e de conclusões que no nosso estudo estamos a tentar apresentar e que são muito interessantes sobre a utilização da uva na Proto-História", concluiu Marcos Osório.

O município do Sabugal vai colocar, até ao final do ano, no acesso ao interior do castelo de Vila do Touro, uma escadaria em madeira e ferro, num investimento de 50 mil euros, para facilitar a visitação do espaço.

O vereador Amadeu Neves, com o pelouro do Turismo na autarquia do Sabugal, disse à Lusa que a colocação da escadaria "permitirá ao visitante poder aceder ao alto do castelo e usufruir da magnífica vista panorâmica".

A intervenção é também "uma forma de dar alguma dignidade" ao monumento e à aldeia, "no âmbito das comemorações dos 800 anos da atribuição do foral [em 1220]".

A construção do castelo de Vila do Touro, no Alto da Pena, foi iniciada logo após a doação da jurisdição da povoação aos Templários, pelo concelho da Guarda, e a concessão do foral em 1220, por Dom Pedro Alvito, mestre da Ordem, segundo a autarquia do Sabugal.

A fortificação começou a ser erguida por essa altura, mas nunca chegou a ser concluída porque o concelho da Guarda "se opôs a essa construção".

"Desses tempos, restam hoje apenas as velhas muralhas inacabadas e encavalitadas nas penedias, e uma porta de arco ogival na vertente sul, para além dos alicerces dos edifícios que eram habitados pelos pedreiros e mestres da obra", indica a fonte.

  • Não estou de acordo

    Opinião

    Não estou de acordo com métodos medievais para enfrentar uma pandemia. Se os vírus evoluíram, a organização da sociedade também deveria ter evoluído o suficiente para os combater de outra forma. O recolher obrigatório é próprio dos tempos obscuros e das sociedades não democráticas. Proibir as pessoas de circular na rua asfixia a economia e não elimina a pandemia.

    José Gomes Ferreira