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PCP: 99 anos, cinco líderes

O PCP teve cinco líderes em quase 100 anos de história e viveu três transições na liderança do partido, em 1961, com Álvaro Cunhal, em 1992 com Carlos Carvalhas e em 2004 com Jerónimo de Sousa.

Antes de Cunhal, após a prisão e morte de Bento Gonçalves, o partido estivera 25 anos sem um líder, mas sim com uma direção coletiva, num período de forte repressão e clandestinidade durante a ditadura do Estado Novo.

Desde a sua fundação em 1921, o PCP teve cinco secretários-gerais.

+++ José Carlos Rates +++

Jornalista de profissão e considerado um intelectual do movimento operário, Carlos Rates foi o primeiro secretário-geral do PCP.

Assumiu a liderança comunista logo em 1921 e foi eleito secretário-geral no primeiro congresso, em novembro de 1923, em Lisboa.

É expulso em 1925 porque "jornalistas burgueses" não podiam pertencer aos "organismos" da Internacional Socialista.

Assumiu, anos mais tarde, uma aproximação à ditadura, o que lhe valeu ser muitas vezes minimizado na história oficial do PCP.

Já na qualidade de secretário-geral visitou Moscovo, tendo escrito um livro de impressões dessa viagem e publicado outro intitulado "Ditadura do proletariado".

Foi correspondente do Pravda em Portugal e diretor de "O Comunista" entre 1924 e 1925, ano em que foi afastado do PCP, no âmbito da primeira reorganização do partido.

+++ Bento Gonçalves +++

Bento Gonçalves nasceu em 1902, em Montalegre, e morreu aos 40 anos, vítima de doença, no Tarrafal.

Começou a trabalhar aos 13 anos como torneiro mecânico no Arsenal da Marinha, desenvolvendo uma intensa atividade sindical.

Deslocou-se à URSS em 1927, um ano antes de se filiar no PCP, em 1928, chegando a secretário-geral em 1929.

Nesse ano dirigiu o processo de reorganização do partido. Foi preso entre 1930 e 1933, ano em que sai da prisão e "mergulha" na clandestinidade.

Visita Moscovo em 1935, com Júlio Fogaça e José de Sousa, mas no regresso foi preso. Em 1942 morre no Tarrafal.

Até 1960 o PCP não teve secretário-geral. Entre 1940 e 1941 houve uma reorganização que tornou o PCP num partido de massas a nível nacional.

+++ Álvaro Cunhal +++

Álvaro Cunhal, nascido em 1913, foi eleito em 1961 e seria o líder que mais tempo esteve à frente do PCP, 31 anos.

Devido ao seu carisma como líder, Cunhal continuou a ter lugar de destaque na memória dos comunistas, apesar de afastado do trabalho partidário por motivos de saúde.

Filiado no PCP desde 1931, Cunhal foi protagonista de uma fuga histórica da prisão-fortaleza de Peniche em 1960, onze anos depois de ter sido preso.

Cunhal partiu em 62 para a União Soviética e depois para Paris, onde continuou a viver na clandestinidade até ao 25 de Abril de 1974.

Nesse ano regressou a Portugal e foi ministro sem pasta nos governos provisórios do pós-revolução.

A partir de meados da década de 80, Cunhal assistiu à progressiva perda de influência eleitoral do PCP, opondo-se sempre à "social-democratização" do partido à semelhança do que ocorreu com outros partidos comunistas após o desmoronamento do bloco de leste.

Morreu em 2005 e o seu funeral foi uma enorme manifestação em Lisboa, com milhares de pessoas.

+++ Carlos Carvalhas +++

A sucessão de Cunhal na liderança do PCP, em 1992, estava à partida garantida para Carlos Carvalhas, seu adjunto desde 1990.

O economista Carlos Carvalhas nasceu em São Pedro do Sul em 1942. Filiado no PCP desde 1969, Carvalhas foi secretário de Estado do Trabalho nos governos pós-25 de Abril.

Eleito eurodeputado em 1989, foi candidato do PCP às presidenciais de 1991.

Defensor do marxismo-leninismo, mas "não como um receituário", Carvalhas procurou evitar ruturas no PCP, mas foi acusado pelos "renovadores" de trair a vontade de renovação, por não ter dado seguimento ao "Novo Impulso", documento de 1998 assinado por figuras como João Amaral, Edgar Correia ou Agostinho Lopes, que abria o PCP a independentes e afirmava uma inédita "vocação de poder".

Nos anos da sua liderança, o PCP continuou a perder influência eleitoral e debateu-se com conflitos internos entre a linha ortodoxa do partido e vários militantes de destaque, que resultaram em sanções, expulsões e dissidências.

+++ Jerónimo de Sousa +++

É o segundo secretário-geral do PCP operário, depois de Bento Gonçalves.

Operário metalúrgico de profissão, nasceu em Loures em 1947, aderiu ao PCP em 1974 e foi deputado à Assembleia Constituinte, permanecendo no Parlamento por mandatos sucessivos até 1992. Após 10 anos fora de São Bento, regressou ao hemiciclo em 2002.

Ao ser eleito, Jerónimo de Sousa era conotado com a ala "ortodoxa" do PCP, fiel à orientação marxista-leninista do núcleo duro, contestado pela ala "renovadora", que se constituiu em movimento autónomo.

Sob a sua liderança, viabilizou um governo PS no parlamento após as legislativas de 2015, ganhas pela coligação PSD-CDS, de direita, mas que ditaram uma maioria de deputados de esquerda no parlamento. O PCP chamou-lhe a "nova fase da vida política nacional", ou "geringonça".

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