País

Ao segundo dia de congresso, comunistas elegem novos órgãos de direção

ANTÓNIO COTRIM

Jerónimo de Sousa está no cargo há 16 anos, desde 2004.

O XXI congresso do PCP entrou este sábado no seu segundo dia de trabalhos, no qual os delegados vão eleger o novo comité central e depois é escolhido o secretário-geral, devendo continuar Jerónimo de Sousa.

Durante o dia do congresso, no pavilhão Paz e Amizade, em Loures, Lisboa, o candidato apoiado pelos comunistas às presidenciais de 24 de janeiro de 2021, João Ferreira, discursou.

João Ferreira diz que as eleições presidenciais não podem passar ao lado dos portugueses. O candidato presidencial do PCP sublinha a importância do Presidente da República como garante dos valores da constituição.

À tarde, os delegados, reduzidos a metade do habitual - 600 - devido à crise pandémica de covid-19, elegem o novo comité central, na base da proposta feita pelo Comité Central cessante. Depois de eleito, o novo comité central reúne-se para eleger os seus organismos executivos e escolher o secretário-geral, que deverá continuar a ser Jerónimo de Sousa, no cargo há 16 anos, desde 2004.

O comité central é o organismo que dirige a actividade do partido no intervalo dos congressos, "assumindo a responsabilidade de traçar, de acordo com a orientação e resoluções dos congressos, a orientação superior do trabalho político, ideológico e de organização do partido", estipulam os estatutos do PCP.

Antes do congresso, Jerónimo nunca foi taxativo sobre o assunto, mas admitiu implicitamente continuar à frente do partido após o congresso.

A lista do comité central do PCP vai respeitar a "regra de ouro" fixada por Álvaro Cunhal de ter uma maioria de membros de origem operária, no caso 44,96%.

De acordo com a proposta de composição do órgão máximo de direção dos comunistas, a lista "inclui 129 camaradas", uma redução relativamente ao anterior, há 33 saídas e 19 são novos dirigentes.

CARLOS CARVALHAS E ARMÉNIO CARLOS DEIXAM COMITÉ CENTRAL DO PCP

De saída deste órgão estão o ex-secretário-geral Carlos Carvalhas, o antigo líder da CGTP Arménio Carlos e o ex-deputado Agostinho Lopes. A lista ainda é passível de alterações, antes da sessão fechada, agendada para hoje. O congresso termina no domingo, com o discurso de encerramento do secretário-geral.

Bernardino exclui futura liderança e diz que Jerónimo é o mais respeitado pelos portugueses

O dirigente comunista e autarca de Loures, Bernardino Soares, excluiu a hipótese de liderar o PCP no futuro, e defendeu que o atual secretário-geral, Jerónimo de Sousa, é o politico mais respeitado pelos portugueses.

"Eu acho que o meu camarada Jerónimo de Sousa é uma das personalidades - talvez a personalidade política no nosso país, não só no PCP -, mais respeitada pelos portugueses. Isso tem um valor próprio, que é mérito dele, e também resultado da sua intervenção em representação do PCP. Portanto, é um camarada que tem muito ainda a dar pelo nosso partido", afirmou, em entrevista à Agência Lusa.

O autarca de Loures, de 49 anos, desvalorizou a tese que tem sido publicada em alguns órgãos da comunicação social de que seria eleito este fim de semana um adjunto para Jerónimo de Sousa, à semelhança do sucedido aquando do abandono do histórico Álvaro Cunhal, lentamente substituído por Carlos Carvavalhas, entre 1990 e 1992.

Questionado sobre a grande ovação que recebeu na véspera, durante o seu discurso aos cerca de 600 delegados comunistas, Bernardino Soares agradeceu a "amabilidade dos camaradas" e justificou-a com o facto de ser "o anfitrião", uma vez que é o edil local.

O autarca está a cumprir o seu segundo mandato e só poderá a concorrer a mais um, em outubro de 2021.

"Eu tenho um papel muito importante que é ser presidente da CML, eleito nas listas da CDU, indicado pelo PCP, e é nisso que estou totalmente focado", concluiu.

TRANSMISSÃO EM DIRETO DO XXI CONGRESSO DO PCP