País

António Costa diz que ilegalização do Chega não é resposta

MÁRIO CRUZ

Primeiro-ministro foi confrontado com as palavras do socialista Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa.

O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta terça-feira que a resposta política mais eficaz ao Chega não passa pela sua ilegalização, mas por solucionar os problemas sociais que alimentam o populismo e explicam a existência do partido.

Em entrevista à rádio Observador, António Costa foi confrontado com as declarações do presidente da Câmara de Lisboa, o socialista Fernando Medina, que precisamente àquele órgão de comunicação social, admitiu que "a questão da ilegalização do Chega venha a colocar-se".

"Eu prefiro mais a pedagogia do que as proibições e acho que a forma eficaz de combater o Chega é dar resposta aos problemas sociais que alimentam o descontentamento, a desesperança, a descrença porque essa é a base do populismo", começou por responder o primeiro-ministro, sublinhando a sua cultura e espírito liberal.

Deixando claro que "a ilegalização é uma matéria que compete ao sistema de justiça", Costa focou-se na questão política: "o que eu acho que é fundamental é responder às causas políticas que explicam a existência do Chega na sociedade portuguesa".

"Isso é para mim a prioridade. Quanto ao mais, isso são as competências próprias, designadamente do Ministério Público, que pode acionar se assim o entender os mecanismos previstos para ilegalização de qualquer partido político", justificou.

Sublinhando que não crê que "seja essa a resposta mais eficaz, pelo menos do ponto de vista político", o primeiro-ministro escusou-se a "dar conselhos ao Ministério Público sobre o que deve fazer".

"Agora, do ponto de vista político o que devemos procurar entender é quais são os fenómenos e as causas sociais que têm gerado este clima, que tem levado muitas pessoas a entenderem que é no Chega que têm a resposta aos seus problemas", reiterou.

PETIÇÃO PARA ACABAR COM O PARTIDO CHEGA

Há uma petição "on-line" que defende a extinção do Chega por fascismo. "Lamento muito que, em democracia, continuem a suceder-se e a noticiar-se petições para o fim do partido que lidero e tentativas de ilegalização do mesmo. Isso demonstra bem o nível de democracia que temos em Portugal e o quanto não estavam habituados a viver nessa democracia. Não passarão", disse André Ventura.

Costa critica posição de Rio em relação ao Novo Banco

Na mesma entrevista, António Costa voltou a ser muito crítico em relação à atuação do líder do PSD, Rui Rio, ao ter contribuído para a aprovação da alteração ao Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), apresentada pelo BE, que anula a transferência de 476 milhões de euros do Fundo de Resolução para o Novo Banco.

"Ficámos todos a saber é que Rui Rio, com muita facilidade, arruma os seus princípios", condenou, considerando que esta aprovação foi "uma bravata política que vai ser jurídica e financeiramente inconsequente".

Questionado sobre se esta decisão do PSD afetou as suas relações com Rui Rio, Costa defendeu que a ideia de que os dois líderes dois maiores partidos eram "parceiros de tango" foi "uma ficção da comunicação social", uma vez que isso nunca aconteceu.

Segundo o primeiro-ministro, as relações políticas com o líder da oposição "nunca existiram", considerando que os acordos para a descentralização e para os fundos europeus "são duas árvores que não fazem a floresta".

Sobre o bloco central, na perspetiva do chefe do executivo, Costa e Rio estão de acordo: "nem ele deseja o bloco central, nem eu desejo o bloco central".

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