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Morte de Ihor Homenyuk. Aumenta a pressão sobre o Ministério da Administração Interna

São várias as vozes que criticam Eduardo Cabrita.

Apesar da demissão da diretora do SEF, continua a pressão sobre o Ministério da Administração Interna. Depois da oposição, agora foi a vez da líder do grupo parlamentar do PS vir dizer que a saída de Cristina Gatões foi tardia.

Numa nota enviada esta quinta-feira à comunicação social, Eduardo Cabrita reitera o seu empenho na descoberta da verdade sobre a morte de Ihor Homenyuk, em março, no aeroporto de Lisboa.

A demissão

A saída da diretora do SEF foi anunciada numa nota do Ministério da Administração Interna que dava também conta de uma reestruturação no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, já prevista no programa de Governo.

A oposição tem tecido críticas à atuação do ministro, que é próximo de António Costa, e agora foi a vez de Ana Catarina Mendes, líder do grupo parlamentar do PS, afirmar que a diretora do SEF devia ter-se demitido de imediato.

A nota divulgada no Dia Internacional dos Direitos Humanos

Esta quinta-feira, em que se assinala o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o Ministério da Administração Interna emitiu uma nota a dizer:

“Os trágicos acontecimentos ocorridos no Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa foram, desde a primeira hora, condenados, em várias declarações públicas, pelo Ministro da Administração Interna”.

“O Ministro da Administração Interna reitera o seu total empenho no apuramento de toda a verdade e das consequentes responsabilidades criminais e disciplinares relativamente aos graves factos ocorridos no EECIT”.

A morte de Igor Homenyuk

O cidadão ucraniano chegou a Portugal a 10 de março, em plena pandemia. Vindo da Turquia, como não tinha visto de trabalho, foi-lhe barrada a entrada em Portugal. Ficando à guarda do SEF, numa sala do Centro de Instalação Temporária do aeroporto de Lisboa.

A investigação da PJ diz que agiu sempre de forma pacífica, mesmo quando o SEF tentou embarcá-lo à força para a Turquia.

Morreu dois dias depois. O relatório da autópsia revela que o seu corpo tinha fortes sinais de violência. Terá sucumbido às mãos de três inspetores do SEF, Bruno Sousa, Duarte Laja e Luís Silva, acusados de homicídio qualificado em coautoria.

No relatório, a Judiciária detalha a forma violenta como Igor foi tratado. Tinha várias fraturas e hematomas. Foi algemado, manietado com fita cola e deixado mais de 10 horas numa sala com as calças para baixo. Morreu de asfixia causada pelas agressões.

Processos disciplinares

A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu também processos disciplinares aos três arguidos e revela que há 12 pessoas envolvidas no encobrimento da morte.

Contactado pela SIC, o Sindicato dos Inspetores e Investigação do SEF não quis fazer comentários.

Bruno Sousa, Duarte Laja e Luís Silva estão em prisão domiciliária e começam a ser julgados em janeiro.