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Homicida da freira "Tona" nega intenção de agredir sexualmente mulher que tentou raptar

(Arquivo)

Mulher descreveu em tribunal como foi ameaçada com um bisturi.

O homicida da freira "Tona" negou esta terça-feira, em Tribunal, a intenção de agredir sexualmente uma mulher, que terá tentado raptar, em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro.

O arguido começou a ser julgado esta tarde no Tribunal de Santa Maria da Feira, num caso em que é acusado de tentar raptar uma mulher na garagem da sua habitação para, alegadamente, ter relações sexuais com ela.

Homem já tinha cumprido pena por rapto e violação de outra mulher

Os factos agora em julgamento ocorreram a 18 de junho de 2019, antes do homicídio da freira e cerca de um mês depois de o arguido ter sido colocado em liberdade condicional, após cumprimento de pena de 16 anos de prisão por rapto e violação de outra mulher.

O homem, que está acusado como reincidente dos crimes de roubo, rapto e ofensa à integridade física, na forma qualificada, negou ter tido intenção de agredir sexualmente a mulher, adiantando que apenas queria roubar o carro, para pagar uma dívida de droga de cerca de 3.500 euros.

"A dívida da droga era grande. Não sabia como pagar. Foi-me sugerido que estava ali um BM[W] de cor clara", disse o arguido, que não quis identificar o indivíduo que lhe "encomendou" a viatura.

Perante o coletivo de juízes, o arguido disse ainda não se recordar do que se passou no dia do crime, porque estava alcoolizado e drogado. "Não sei se a agredi. Sei que fiz força para tirar a chave", afirmou.

Mulher descreve como foi ameaçada com um bisturi

Na mesma sessão, foi ouvida a vítima que disse que estava a chegar a casa de carro, quando foi surpreendida pelo arguido, no interior da garagem do prédio.

Num relato emocionado, a mulher contou que o arguido conseguiu tirar-lhe a chave do carro da mão e, sob ameaça de um "bisturi", tentou forçá-la a entrar na bagageira.

"Lutei muito tempo até aparecer alguém", disse a mulher, adiantando que pediu socorro a um vizinho que viu a deslocar-se para a sua viatura e a quem se agarrou, enquanto o arguido abandonava "calmamente" a garagem.

A mulher contou ainda que, desde então, tem vindo a ser seguida por um psicólogo e começou a ter ataques de pânico, adiantando que ainda hoje não consegue andar na rua sozinha.

"Só quero que isto não aconteça a ninguém. Isto é o perder de uma vida", concluiu.

Arguido fugiu depois de não ter conseguido concretizar os seus objetivos

De acordo com a acusação, a 18 de junho de 2019, o arguido conseguiu aceder à garagem comum de um prédio situado na Avenida Engenheiro Arantes e Oliveira, em São João da Madeira, e esperou que uma das moradoras ali chegasse com a viatura, para a abordar e exigir a entrega das chaves do carro.

Como esta recusou, o homem retirou-lhe a chave à força e abriu a mala para tentar colocar a mulher lá dentro, com o objetivo de ter relações sexuais com ela, mas não conseguiu concretizar os seus objetivos, porque foi surpreendido com a chegada de um vizinho a quem a vítima pediu auxílio.

O arguido acabou por fugir do local levando a chave da viatura, mas abandonou-a a poucos metros de distância do prédio.

Em agosto de 2020, o homem foi condenado no Tribunal de Santa Maria da Feira a 25 anos de prisão pelo homicídio da freira "Tona" e pela tentativa de violação de uma outra mulher, crimes que ocorreram em agosto e setembro de 2019.