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Centenário do PCP. Jerónimo recusa apoio ao PS e acusa direita de maiorias superficiais

JOSÉ SENA GOULÃO

O partido celebra este sábado 100 anos.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, reafirmou este sábado, dia do centenário do partido, a fidelidade ao marxismo-leninismo, recusou ser "força de apoio" do PS e pediu "a intensificação da luta, de todas as lutas".

"Há muito provámos que as vitórias não nos fazem descansar e as derrotas não nos fazem render. Nós, comunistas, sabemos: vale a pena lutar. Sabemos que o futuro não acontece, constrói-se e conquista-se", afirmou Jerónimo no final de um discurso de mais de meia hora, no Rossio, em Lisboa, num comício para assinalar os 100 anos do PCP.

As críticas ao Governo e a recusa a ser um apoio ao PS

Logo no início, quando explicou o motivo da longevidade do partido, 100 anos depois, Jerónimo de Sousa sublinhou a filiação a "uma teoria revolucionária, o marxismo-leninismo", e, depois de fazer um elogio à experiência do entendimento à esquerda, com os socialistas, de 2015 a 2019, também sublinhou que o PCP não é "força de apoio ao PS".

Jerónimo acusa direita de querer "subverção da Constituição"

Jerónimo de Sousa ainda criticou o Governo, por, no essencial, "manter a política de direita do PSD e do CDS", e insistiu, a exemplo que tinha feito esta semana, a acusar os partidos de direita de terem em marcha "uma ação revanchista", com "os sucedâneos Chega e Iniciativa Liberal".

É um projeto, disse, que "visa a subversão da Constituição e a revisão das leis eleitorais" pela parte do PSD para "formar maiorias artificiais".

"Nem instrumento ao serviço dos projetos reacionários do PSD, CDS e seus sucedâneos. Somos a força da alternativa patriótica e de esquerda", disse.

E ao falar do projeto do PCP, de "verdadeira alternativa", pediu "a convergência dos democratas e patriotas", que "não se conformam com um país reduzido a uma simples região da União Europeia" e pediu luta.

É uma alternativa que, disse, "reclama a intensificação e alargamento da luta, de todas as lutas, pequenas e grandes, da classe operária, dos trabalhadores", em torno da "grande central sindical", a CGTP.

Milhares de militantes no Rossio

Foram algumas centenas de militantes que ouviram o secretário-geral dos comunistas numa praça do Rossio decorada de bandeiras vermelhas e cadeiras brancas, a alguma distância por questões sanitárias devido à pandemia de covid-19.

Um comício que foi adaptado aos tempos epidémicos, em que os militantes não se abraçaram para cantar A Internacional nem o Avante, e, no final, a voz 'off' apelou "à desmobilização", com respeito pela distância para dispersar pequenos grupos de militantes que ficavam a conversar.

Foram 35 minutos de discursos, com evocações históricas, com parte ideológicas e de defesa do socialismo contra o capitalismo e em que não faltou a referência ao líder histórico do partido, Álvaro Cunhal, uma das 15 vezes em que Jerónimo foi aplaudido.

Antes do comício, a JCP fez um desfile, com cerca de 100 militantes, por vários locais simbólicos de Lisboa.