País

Um castelo só para mim

Boa Cama Boa Mesa na SIC: as sugestões de Martim Cabral no Jornal da Noite de sábado

Depois do confinamento, estamos todos ansiosos por sair de casa e aproveitar os fins de semana para dar uma volta cá dentro.

A partir desta semana, vamos sugerir-lhe, no “Boa Cama Boa Mesa na SIC” - um novo espaço do Jornal da Noite de sábado -, lugares e histórias que, agora, têm outro encanto, mesmo para quem já os conhece.

A primeira viagem é curta na distância, mas longa no tempo.

De repente descobrimos que tínhamos um castelo só para nós. Um castelo, um bairro, um rio – a cidade toda só para nós.

O jardim e a capela, a ruína ou o miradouro, lugares por onde sempre olhámos, apressados, têm agora belezas que antes não reparávamos.

Já algum dia visitou, com tempo, o Castelo de São Jorge, procurando descobrir, cá de cima, onde fica determinada rua, ou o jardim que frequentamos, a catedral, a praça ou o bairro onde moramos?

Agora, nestes dias sem turistas empoleirados nas muralhas, podemos reconstituir com mais pormenor e outra paciência a história da cidade e a nossa própria história.

E admirar a cor e o recorte das colinas.

As casas em degrau, encosta abaixo.

O Terreiro do Paço lá ao longe a lembrar outros tempos e outros reinos.

Os barcos a entrar e a sair do Tejo.

Ao deixarmos o castelo, mergulhamos nos bairros mais antigos da cidade e numa das zonas mais procuradas por turistas e por agentes imobiliários.

Sem a multidão de visitantes, as ruas de Alfama parecem mais largas, libertas e arejadas.

O silêncio revela a Alfama de outros tempos.

Agora até o barulho do elétrico quase vazio parece mais genuíno e familiar.

Enquanto os turistas em massa não regressam, vale a pena dar cá um salto.

Por aqui, não é preciso andar à procura porque a surpresa está por todo lado.

As janelas das casas baixas e a roupa colorida nos estendais.

O estabelecimento com nome próprio e adequado.

O largo aberto a um panorama novo.

Os pontos de encontro, a conversa entre vizinhos.

As lojas com bocadinhos de sabores vindos de todo o mundo...

Os restaurantes a preparar ementas e sabores para o relançamento da atividade.

As ruas íngremes.

E até o canto dos pardais nas árvores e a rixa das gaivotas, colina acima.

A conversa com o irmão Pedro Ferreira, enquanto nos guia atravessando a sacristia, e, depois, por um corredor estreito, por baixo do altar-mor, até ao local mais procurado da Igreja: a

cripta que assinala o lugar de nascimento de Santo António.

E ao entramos na Rua da Saudade, recuamos aos tempos da Lisboa romana, mergulhando na história fantástica do que terá sido um dos locais mais nobres da cidade, um teatro a céu aberto, como eram todos, mandado construir no século I, pelo imperador Augusto. Levava 4 mil pessoas e tinha uma vista soberba sobre o rio.

O terramoto que destruiu a Igreja de Santo António contribuiu para, durante a limpeza dos escombros, descobrir a teatro romano, que, até ali, permanecera soterrado durante 14 séculos, 1400 anos.

Se descermos as escadinhas do Arco de Jesus, chegamos finalmente à zona ribeirinha.

Mas até lá, podemos apreciar um pouco desta outra Lisboa, coberta de azulejos.

Já nesta zona requalificada da cidade, o rio, antes escondido por lixo e contentores, abre-se cada vez mais à cidade.

Aqui perto, temos ainda uma série de museus à escolha, conforme os interesses: o Museu do Fado, o Museu Militar e, mais lá em cima junto às Portas do Sol, o Museu das Artes Decorativas.

Com ou sem turistas, ninguém pode admirar Lisboa sem conhecer os seus bairros mais antigos.

Aproveite agora, tenha um castelo só para si.

E se quiser obter mais sugestões e conhecer mais histórias de outros lugares e de outros passeios, não deixe de consultar o site do Boa Cama Boa Mesa.

Boa viagem, em segurança, cá dentro.

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