País

Portugal avança para a terceira fase do desconfinamento

MANUEL DE ALMEIDA

Medidas aplicam-se à generalidade do país. Sete concelhos não avançam e quatro recuam.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou esta quinta-feira que "na generalidade do território nacional" vai ser possível, a partir da próxima segunda-feira, entrar na próxima fase do desconfinamento.

"Neste momento, encontramo-nos já num quadrante amarelo - embora ainda muito próximo do verde - e, portanto, consideramos, tal como têm considerado os especialistas, que estamos em condições de dar o próximo passo e na na generalidade do território nacional podermos a partir da próxima segunda-feira entrar na próxima fase do desconfinamento", anunciou António Costa no final do Conselho de Ministros.

António Costa anunciou que Portugal vai avançar, na generalidade do território, para a terceira fase de desconfinamento e assim, como previsto, vão reabrir:

  • Ensino secundário e superior;
  • Cinemas, teatros, auditórios e salas de espetáculos;
  • Lojas de cidadão com atendimento presencial por marcação;
  • Todas as lojas e centros comerciais;
  • Restaurantes, cafés e pastelarias (máximo de 4 pessoas ou 6 em esplanadas) até às 22:00 ou 13:00 aos fins de semana e feriados;
  • Modalidades desportivas de médio risco;
  • Atividade física ao ar livre até seis pessoas;
  • Eventos exteriores com diminuição de lotação (5 pessoas por 100 m2);
  • Casamentos e batizados com 25% de lotação.

SETE CONCELHOS NÃO AVANÇAM NO DESCONFINAMENTO, QUATRO RECUAM

Contudo, há sete concelhos que não avançam para esta terceira fase por estarem acima dos 120 casos por 100 mil habitantes a 14 dias. São eles Alandroal, Albufeira, Beja, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande e Penela. Nestes concelhos mantêm-se as regras que estão atualmente em vigor, correspondentes à segunda fase do desconfinamento.

Num outro patamar estão quatro concelhos que vão voltar a estar sob as regras da primeira fase, por estarem acima de 240 casos por 100 mil habitantes. São eles Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior. Devem cumprir apenas as regras que estavam impostas a 15 de março, no arranque do desconfinamento.

MANUEL DE ALMEIDA

Nestes quatro concelhos voltam a fechar esplanadas, lojas até 200 metros quadrados com porta para a rua, ginásios, museus, monumentos, palácios, galerias de arte e similares; volta a ser proibida a circulação entre concelhos bem como a realização de feiras e mercados não alimentares. Permite-se, contudo, o funcionamento de comércio ao postigo, comércio automóvel e mediação imobiliário, salões de cabeleireiros, manicures e similares (com marcação prévia), estabelecimentos de comércio de livros e suportes musicais, parques, jardins, espaços verdes e espaços de lazer, bibliotecas e arquivos.

Quanto aos concelhos que conseguiram baixar os casos nas últimas duas semanas e que podem entrar na próxima etapa de desconfinamento, são eles Borba, Cinfães, Figueiró dos Vinhos, Lagoa, Ribeira de Pena, Soure, Vila do Bispo e Vimioso.

Em relação às escolas, o primeiro-ministro confirmou que as medidas serão sempre de âmbito nacional. Logo, as escolas abrirão também nos concelhos em maior risco.

O dever geral de recolhimento mantém-se, mas o avanço do plano de desconfinamento aumenta as exceções a esse dever, explicou o primeiro-ministro, que pediu, ainda assim, “contenção” aos portugueses.

António Costa revelou ainda que a fronteira com Espanha continuará encerrada nos próximos 15 dias e reiterou que "antes da próxima época não haverá adeptos nos estádios".

MANUEL DE ALMEIDA

Costa assume evolução do índice de transmissibilidade para o "lado perigoso da matriz"

O primeiro-ministro reconheceu também que o índice de transmissibilidade (Rt) da covid-19 teve uma evolução negativa desde o início do processo de desconfinamento, em março, e que se aproxima do "lado perigoso" da matriz de avaliação.

"O ritmo de transmissão, infelizmente, não tem tido uma boa evolução. Tínhamos um R de 0,78 em 9 de março e hoje estamos em 1,05. Estamos a dirigir-nos para o lado perigoso desta matriz", afirmou o chefe do Governo.

António Costa enalteceu o comportamento da outra variável relevante para a avaliação da situação da pandemia em Portugal, a taxa de incidência de novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias.

"A evolução que tivemos é uma evolução claramente positiva, tendo passado de uma incidência de mais de 118 casos por 100 mil habitantes a 14 dias para uma taxa de incidência de 69 casos por 100 mil habitantes a 14 dias. Portanto, uma clara redução no bom sentido da taxa de incidência", sublinhou.

Em Portugal, morreram 16.933 pessoas dos 829.358 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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