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Quase 48 horas depois de terem chegado, seis imigrantes já abandonaram o Zmar

Os seis imigrantes são duas famílias. Estão agora em casas indicadas pelos empregadores e alvo de vistorias das autoridades de saúde.

Começaram a ser retirados do Zmar parte dos imigrantes alojados no empreendimento. Seis pessoas, incluindo crianças, foram realojadas nas últimas horas e abandonaram o alojamento, onde a SIC entrou na sexta-feira à noite em exclusivo.

Os dois casais, cada um com um filho, deixaram as casas onde estavam alojados rumo a outras fora do complexo, numa operação concluída já durante a noite. Quase 48 horas depois de aqui terem chegado, são os primeiros a abandonar o Zmar.

Os seis imigrantes estão agora em casas indicadas pelos empregadores e alvo de vistorias das autoridades de saude. Os menores vão ser integrados numa creche em S. Teotónio.

As saídas não estão relacionadas com a providência cautelar apresentada por um grupo de proprietários contra a requisição do espaco decidida pelo Governo.

Proprietários do Zmar defendem fim da requisição civil após retirada de imigrantes

Os proprietários de habitações no complexo turístico Zmar, em Odemira (Beja), defenderam hoje o fim da requisição civil, na sequência da saída de alguns trabalhadores agrícolas imigrantes daquele espaço para outras residências.

"Eu acho que a requisição civil não faz qualquer tipo de sentido nesta altura, já se arranjaram sítios para estas pessoas ficarem, espero que sítios dignos para ficarem, sítios onde fiquem definitivamente, que não andem a ser transportados a toda a hora", defendeu Ana Almeida, em declarações à agência Lusa.

A mesma opinião é partilhada por Paulo Figueiredo, também proprietário de uma habitação no Zmar, que sublinha que a requisição civil "não faz qualquer sentido" porque "caiu a pique" o número de pessoas infetadas pela covid-19 no concelho de Odemira.

"Se os casos [número de infetados pela covid-19] caíram a pique e há muito poucos casos ativos, não faz qualquer sentido continuar a manter-se uma requisição civil das nossas habitações privadas", disse.

Paulo Figueiredo criticou ainda a forma como estão a decorrer os trabalhos de retirada dos imigrantes do complexo turístico Zmar, lamentando que os proprietários não estão a ser informados sobre este processo.

"A chegada, digamos, foi um ´check-in` feito à bruta, acordaram [autoridades] os funcionários do Zmar às 03:30 da manhã, com todo aquele aparato de metralhadoras, polícia de choque e cães para fazer o ´check-in`, mas para fazer o ´chek-out` ninguém diz nada", lamentou.

Esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, o Governo decidiu queo cordão sanitário aplicado nas freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve vai manter-se, mas com "condições específicas de acesso ao trabalho".

As entradas e saídas para trabalhar ou apoiar idosos nestas duas freguesias de Odemira são permitidas, desde as 08:00 deste sábado, mas ficam dependentes de teste negativo à covid-19.

Na sequência desta situação, o Governo determinou "a requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional", da "totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes" que compõem o complexo turístico Zmar, na freguesia de Longueira-Almograve, para alojar pessoas em confinamento obrigatório ou permitir o seu "isolamento profilático".

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