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Segue para inquérito o processo contra jovens que protestaram contra poluição provocada pela aviação

RODRIGO ANTUNES

Jovens ativistas foram detidos no sábado, em Lisboa, durante um protesto.

Os jovens ativistas que no sábado foram detidos em Lisboa durante um protesto contra a poluição provocada pelos aviões foram esta segunda-feira ouvidos em tribunal, que decidiu que o processo avança para fase de inquérito.

Os jovens detidos pertencem ao movimento ambientalista Climáximo e são acusados de desobediência a ordem de dispersão de reunião pública e atentado à segurança rodoviária.

"Temos menos de dez anos para cortar três quartos das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal e mais aviação é como ligar o fogão a gás numa casa em chamas" diz, citada num comunicado do movimento esta segunda-feira divulgado, Inês Teles, uma das acusadas.

O movimento diz também no documento que o Estado tem agora oito meses para decidir se quer continuar a criminalizar a conduta dos ativistas ou se quer antes garantir que "há menos aviões, mais ferrovia e uma transição justa para os trabalhadores".

Depois do protesto de sábado e da detenção dos ativistas, apoiantes do Climáximo concentraram-se na esquadra onde estavam os ativistas e esta segunda-feira estiveram também à porta do tribunal, em solidariedade com os detidos, refere o movimento no comunicado, que promete "continuar a luta" e voltar às ruas no outono "para bloquear umas das infraestruturas mais poluentes de Portugal".

Detidos na manifestação contra a poluição dos aviões

No sábado os manifestantes protestaram na zona das chegadas do aeroporto contra a poluição provocada pelos aviões, rumando depois para a Praça do Aeroporto (Rotunda do Relógio), onde cortaram o trânsito. O protesto, que levou às detenções por parte da PSP, teve como objetivo exigir mais transportes ferroviários e menos aviões.

Foram detidos 26 jovens, um deles com menos de 18 anos.

O protesto, organizado pelo grupo ambientalista Climáximo, começou com uma manifestação junto ao aeroporto e continuou na esquadra da PSP dos Olivais, depois dos manifestantes serem libertados.