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Caso de Noah. "Não pode haver enviesamentos na investigação" 

O psicólogo Mauro Paulino diz que "não se pode pegar numa peça do puzzle e construir apenas uma ideia".

O psicólogo Mauro Paulino considera que o importante a fazer agora é recolher informação sobre o que se passou com Noah, a criança de 2 anos que esteve desaparecida, durante 36 horas, em Proença-a-Velha, e perceber se as lesões que apresenta são compatíveis com a tese do percurso que terá feito.

"Toda esta necessidade de integrar informação é fundamental (…). É difícil de aceitar que não tenham existido outras lesões ou outras marcas que corroborem essa versão", afirma.

No Jornal das 7, da SIC Notícias, Mauro Paulino fala sobre o processo aberto pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Idanha-a-Nova e sobre a importância da investigação.

"Não podemos agora, com a euforia e a boa notícia que apareceu com vida, aceitar de forma acrítica qualquer consideração de que esta criança esteve 36 horas à deriva, sem grandes mazelas. Isto não é fácil de aceitar de imediato".

O psicólogo diz que o percurso que a criança terá feito sozinha é "o suficiente para configurar um episódio traumático". Afirma que as crianças são diferentes nas reações, mas o que se espera é que, perante um episódio traumático, tenham sintomas de ansiedade, mudanças no padrão de sono ou desconfiança nos contactos com outros adultos.

"Esta informação de a criança ter dormido tranquilamente (de quinta para sexta-feira) poderá indiciar que esta versão das 36 horas, em que a criança esteve perante este episódio traumático, não seja bem assim".

Perante a situação, Mauro Paulino defende que não se pode "pegar numa peça do puzzle e construir apenas uma ideia, tem de haver uma integração de informação".

"Tudo isto tem de ser devidamente enquadrado (…) Não pode haver enviesamentos na investigação".