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OE para 2022. PS diz que há "condições muito claras" para aprovação à esquerda

MIGUEL A. LOPES

Questionado sobre a disponibilidade a alterações às leis laborais, o secretário-geral adjunto do PS não quis responder diretamente.

O PS defendeu que existem "condições muito claras" para que haja uma "convergência plena" das forças políticas que apoiaram as opções do Governo desde 2015 na aprovação do Orçamento do Estado para 2022.

Em declarações aos jornalistas, após uma reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, apontou a estabilidade política como "um elemento crucial" e "fator decisivo" para uma correta aplicação dos instrumentos financeiros ao dispor do país.

Questionado se a aprovação do próximo Orçamento é decisiva nessa estabilidade, o dirigente socialista classificou esse documento como "de primeira prioridade política".

"E eu diria que há condições muito claras para que possa haver uma convergência plena das forças que têm suportado as opções políticas para o país", defendeu.

Nessas condições, o deputado do PS incluiu uma "clara vontade de reforçar o investimento público, quer na qualificação da Administração Pública, quer na qualificação das funções sociais do Estado".

"Há ainda uma agenda para o trabalho com dignidade, e por outro lado, todos estamos investidos de uma mesma responsabilidade: preparar a sociedade e o Estado para desafios vitais como a transição digital e as alterações climáticas, combater a pobreza e desigualdades e garantir que o país é mais competitivo e mais coeso", elencou.

Questionado se será possível alargar a base de aprovação do Orçamento, que no ano passado teve votos contra do BE, José Luís Carneiro manifestou a "vontade e a disponibilidade absolutas" do PS para que as forças políticas que foram o "grande suporte das transformações políticas desde 2015 possam convergir".

"E há razões claras para que posam convergir na aprovação do Orçamento", reiterou.

Alterações às leis laborais?

Questionado se a disponibilidade do PS se estende a alterações às leis laborais, reivindicadas por BE e PCP, o secretário-geral adjunto do PS não quis responder diretamente.

"Não me queria deter nessas matérias mais concretas, mas reiterar que há um compromisso muito claro, e ainda hoje reiterado pelo primeiro-ministro, de que pretende valorizar e dignificar as condições do trabalho, é um objetivo político que nos unifica a todos", disse.

No final da reunião de cerca de uma hora com o chefe de Estado - que terminou esta quarta-feira mais uma ronda de audições com todos os partidos com assento parlamentar -, José Luís Carneiro realçou a importância da cooperação entre a administração central, autarquias e poderes regionais para a recuperação económica e social do país.

"Para o PS, a estabilidade política é um elemento crucial para que essa vontade de cooperação entre as estruturas da administração pública, estruturas privadas, económicas e sociais possam convergir no mesmo esforço de recuperação económica e social", apontou.

O dirigente socialista disse ter transmitido ao Presidente da República "sinais positivos" como a taxa de desemprego "estar a níveis muito inferiores a 2011", situando-se nos 7,1%, a capacidade de o país continuar a atrair investimento direto estrangeiro ou a consolidação do investimento de empresas portuguesas no estrangeiro.

"Foi possível alcançar estes objetivos porque houve, desde os primórdios da pandemia, um espírito muito profundo entre todas as instituições, representantes da Assembleia da República, membros do Governo, Presidente da República", sublinhou.

José Luís Carneiro disse ainda ter abordado com o Presidente da República a "importância da campanha de vacinação", que classificou não apenas "como um direito, mas também um dever de todos os portugueses".