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Tribunal aceita forma de pagamento da caução de Joe Berardo

Tiago Petinga/Lusa

O empresário madeirense vai dar como contrapartida imóveis avaliados em oito milhões de euros.

O juiz Carlos Alexandre aceitou a proposta de caução apresentada por Joe Berardo. O empresário madeirense vai dar como contrapartida imóveis avaliados em oito milhões de euros, que pertencem a sociedades de familiares.

O valor é superior aos cinco milhões de euros que foram determinados como caução pelo Tribunal Central de Instrução Criminal.

Joe Berardo foi detido no início do mês, suspeito da prática de crimes como burla qualificada, fraude fiscal, branqueamento de capitais, abuso de confiança qualificado e descaminho.

Além do pagamento de caução, o juiz proibiu ainda Joe Berardo de contactar com outros arguidos do processo, obrigou-o a entregar o passaporte e proibiu-o de sair do país.

Joe Berardo foi detido no início do mês no âmbito de uma investigação aos empréstimos ruinosos da Caixa Geral de Depósitos.

JOE BERARDO TERÁ MONTADO UM ESQUEMA PARA NÃO PAGAR AS DÍVIDAS AOS BANCOS

O empresário, juntamente com o advogado André Luiz Gomes, terá posto em prática um plano de reestruturações e de manobras jurídicas para evitar o reembolso dos empréstimos concedidos pela Caixa, BCP e antigo BES.

A SIC sabe que a indiciação do Ministério Público regressa a 2004 e é a partir desse ano que o grupo Berardo passou a beneficiar de avultados financiamentos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos, antigo BES e BCP sem que, a partir de finais de 2008, houvesse uma intenção de reembolsar os bancos.

Muito pelo contrário, terão sido realizadas manobras jurídicas de forma a reestruturar esses mesmos financiamentos sem que tivesse sido avançado qualquer capital, e ainda com o objetivo de esvaziar os créditos das respetivas garantias.

A SIC sabe também que a indiciação refere que, embora a Coleção Berardo e outro património tenham sido dados com garantia para os financiamentos, o empresário, em colaboração com outros membros da família e elementos do grupo, realizou atos e negócios jurídicos com o objetivo de esvaziar essas mesmas garantias. E por isso terão passado para outras esferas do grupo, inutilizando as garantias dos bancos credores.

Os três bancos exigem quase mil milhões de euros.