País

"Não é momento para crises políticas", avisa Marcelo

Presidente da República entende que as eleições autárquicas têm uma leitura nacional.

O Presidente da República entende que as eleições autárquicas têm uma leitura nacional e diz que os próximos meses são de especial importância na definição do futuro dos partidos, numa entrevista em que Marcelo Rebelo de Sousa avisou que este não é o momento para crises políticas.

Ao contrário do que muitos acreditam, para o Presidente da República, há leituras nacionais a fazer das eleições autárquicas.

Marcelo Rebelo de Sousa quer que os partidos reflitam, mas avisa que as crises políticas são para evitar e que uma alternativa forte ao Governo deve existir.

"O decisivo é o que se vai passar nos próximos três ou quatro meses. Vão ter de ver com que líder querem ficar? Não é só o líder. Qual e a orientação a seguir. À Esquerda, têm de pensar no que vão fazer, que leitura retiram, reforçar a prazo a base de poder ou enfraquecê-la. E o mesmo no Centro-Direita e à Direita. Para haver alternativa plausível forte, a Direita e Centro-Direita, o problema não é sobretudo de liderança, é de estratégia. Estabilidade passa por esses partidos? PSD e CDS não mudarem de líder? Isso já não é comigo, é com os partidos", diz o Presidente da República.

A reflexão de cada um vai determinar as estratégias para as eleições legislativas e o Presidente da República não quer influenciar qualquer decisão.

Por isso, não comenta as campanhas passadas, nem aquelas que mais deram que falar.

"Eu não comento campanhas autárquicas. Os líderes partidários tem sempre tentação de, no poder, utilizar poderes. O PRR não é monopólio do PS, como não é de nenhum outro. É do país", acrescenta.

E o retrato que Marcelo Rebelo de Sousa faz do país tem imensos avanços, na indústria, na agricultura, na saúde e na educação, mas o Presidente da República também encontra falhas.

"Temos uma tradição secular de Estado a mais e sociedade civil a menos. Não tivemos liberalismo, nem revolução industrial. Isso não se muda assim, são séculos. Temos uma sociedade civil tradicionalmente fraca, porque o problema é: não ignora quem tem imenso mérito, quem muda porque a tradição era de uma sociedade civil que se queixava do Estado mas que ia a correr pedir o subsídio ao Estado."

Diz que é preciso ir mais longe em muitos setores, a Justiça um deles, sem nunca referir o nome de João Rendeiro, antigo banqueiro que fugiu à Justiça.

"Até onde devem ir as leis, para facilitar a aplicação em termos de agravar medidas coação. Ir mais longe em mobilidade de quem foi condenado e que está à espera do trânsito em julgado."

O Presidente da República voltou ainda a explicar a polémica em torno da suposta demissão do Chefe de Estado-Maior da Armada.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que não quis dramatizar e que não existiu nenhuma demissão, pois exonerações só com a assinatura do Presidente da República, algo que garante nunca ter feito.

Veja também: