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Morreu o padre Vítor Feytor Pinto

Agência ECCLESIA/MC

Vítima de doença prolongada.

Morreu esta quarta-feira o padre Vítor Feytor Pinto, aos 89 anos, vítima de doença prolongada.

Ao que a SIC apurou, o padre sentiu-se indisposto na terça-feira, tendo sido transportado da Casa Sacerdotal para o Hospital da Luz, em Lisboa. Morreu na unidade hospitalar durante a noite.

A notícia é confirmada no Facebook pela paróquia do Campo Grande, pela qual o sacerdote foi responsável durante vários anos.

"Foi para tantos o amigo generoso, o companheiro de caminhada, o padre profundo e feliz e um homem de pensamento que deixa um legado extraordinário. As saudades são muitas, mas sabemos que ele olha por nós, envolvido na 'ternura maravilhosa de Deus que nos acolhe'", pode ler-se na publicação.

Recorde-se que, no final do ano passado, o padre tinha sido internado devido à covid-19, recebendo alta mais de um mês depois de dar entrada no mesmo hospital.

Vítor Feytor Pinto nasceu a 6 de março de 1932. Foi responsável pela paróquia de Campo Grande, no Patriarcado de Lisboa, e coordenou, durante vários anos, a Pastoral da Saúde em Portugal.

Para além disso, foi também Assistente Nacional e Diocesano da Associação Católica de Enfermeiros e Profissionais de Saúde (ACEPS), Assistente Diocesano dos Médicos Católicos e Assistente Diocesano da Associação Mundial da Federação dos Médicos Católicos (AMCP). Fundou ainda o Movimento de Defesa da Vida, em Lisboa.

Presidente da República homenageia "mestre pela palavra e pelo exemplo"

O Presidente da República lamentou a morte do padre Feytor Pinto, recordando-o como "uma das figuras mais importantes da Igreja Católica Portuguesa nos últimos cinquenta anos", e prestou homenagem ao "mestre pela palavra e pelo exemplo".

Numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa "lembra, já com saudade, o padre Feytor Pinto", considerando que com a sua morte "desaparece uma das figuras mais importantes da Igreja Católica Portuguesa nos últimos cinquenta anos".

"E, certamente, das mais presentes em movimentos de jovens, de famílias, de comunidades sociais as mais diversas, e das mais sensíveis a todos os grandes problemas da sociedade portuguesa, da educação à saúde, da solidariedade social às migrações, da inclusão ao mundo do trabalho", acrescenta o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa refere que Feytor Pinto "não precisou sequer de pertencer à hierarquia para ter influência decisiva em momentos essenciais da afirmação da mensagem cristã".

"O Presidente da República homenageia ainda o homem, o mestre pela palavra e pelo exemplo, o cidadão, o português, apresenta os seus mais emocionados sentimentos aos seus familiares e recorda, em particular, uma muito antiga amizade", lê-se na nota.

O chefe de Estado declara que "os anos mais recentes tornaram ainda mais forte" essa amizade, "com o acompanhamento próximo da 'via crucis', feita de amor à vida e de capacidade de resistir e de se reinventar, que o padre Vitor Feytor Pinto demonstrou até ao último minuto" da sua vida.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Feytor Pinto contribuiu para a "afirmação da mensagem cristã" com "constante visão de serviço e de futuro, ou para ajudar a estabelecer diálogos ecuménicos e a aplanar caminhos em paróquias, dioceses e plataformas de partilha, em momentos cruciais da vida comunitária, desde os anos 70".

Marcelo cancela visita a Tenerife

O Presidente da República cancelou a ida a Tenerife para a Sessão de encerramento do I Encontro de Ministros da Justiça Ibero-Americanos e dos Países de Língua Oficial Portuguesa (COMJIB e CMJPLOP), conjuntamente com o Rei Felipe VI de Espanha, para poder estar presente nas exéquias do padre Feytor Pinto, informou fonte oficial de Belém.

O encontro decorria na quarta e quinta-feira em Tenerife, nas Canárias.